terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MINEIROS ILUSTRES: ONEIDA ALVARENGA.

BIOGRAFIA

Oneida Alvarenga

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
Oneyda Paoliello de Alvarenga, mais conhecida por Oneyda Alvarenga (Varginha6 de dezembro de 1911 — 
Era filha de Orpheu Rodrigues de Alvarenga e de Maria Paoliello de Alvarenga. Foi, por sua mãe, sobrinha neta de 
Cesário Cecílio de Assis Coimbra e prima em 1º grau do, também, poeta, Domingos Paoliello.
Especializou-se em crítica musical sendo uma grande referência na documentação da origem e do folclore da
música Brasileira.
Diplomou-se em Piano pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em 1934, instituição na qual um de 
seus criadores e catedráticos, o poeta Wenceslau de Queiroz, apos a sua morte, foi sucedido por seu ex-aluno de 
estética, Mário de Andrade - o grande mentor de Oneyda. É interessante relatar que as famílias Queiroz e Paoliello
viriam a entrelaçar-se, em 1944, com o casamento do sobrinho de Wenceslau, Flavio de Queiroz Filho e a prima, 
em primeiro grau, de Oneyda, Viggianina Paoliello.
Foi aluna e colaboradora próxima de Mário de Andrade em suas investigações sobre a música popular em sua 
perspectiva antropológica contemporânea.
Oneida tinha enfoque etnográfico com visão romântica da cultura popular e uma perspectiva generosa da sua 
autenticidade na construção de formas estéticas.
Manoel Bandeira, em 1934, tornou público os versos de Oneyda e em 1938 ela publicou a seleção de poemas, 
"A Menina Boba".
Frequentou, ainda em 1934, as aulas sobre etnografia e folclore ministradas pelo casal Dinah Claude 
Em 1935, a convite de Mario de Andrade, tornou-se diretora da Discoteca Pública de São Paulo e foi uma das
fundadoras, da hoje extinta Sociedade de Etnografia e Folclore, por ele criada.
Foi membro do Conselho Nacional do Folclore - do Ministério da Educação e Cultura; membro, desde a sua 
fundação, do Comitê Executivo da Association Internationale de Bibliothèques de Paris, como representante da 
América Latina e membro correspondente da International Music Council de Londres.
Em 1945 foi laureada com o Prêmio Fabio Prado, pelo seu livro Música Popular Brasileira e recebeu em 1958, a 
Medalha Sylvio Romero por relevantes serviços prestados ao folclore brasileiro.
Realizou palestras em congressos Internacionais sobre a música brasileira, além de artigos e ensaios publicados 
na imprensa especializada.
Foi responsável pela organização e publicação dos trabalhos de Mário de Andrade após a sua morte.
A Prefeitura Municipal de São Paulo, homenageando Oneyda, deu o seu nome a uma das ruas da capital paulista 
e a Discoteca do Centro Cultural São Paulo, a "Discoteca Oneyda Alvarenga".

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Cateretês do sul de Minas Gerais publicado em 1937
  • Comentários e alguns contos e danças do Brasil publicado em 1941
  • A influência negra na música brasileira publicado em 1946
  • Música popular brasileira publicado em 1945
  • Mário de Andrade, um pouco

Poesias publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Menina boba

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Dicionário prático ilustrado Lello de 1964 de José Lello e Edgar Lello editado por LELLO & IRMÃOS, pág. 1376.
  • A crítica literária no Brasil Por Wilson Martins Publicado em 1983 pela F. Alves com 1176 páginas citada na 
  • página 789.
  • O tempo e o modo de Leonardo Arroyo publicado em 1963 pelo Conselho Estadual de Cultura, Comissão de 
  • Literatura com 170 páginas, citada na página 120.
  • História da música brasileira de Renato Almeida publicado em 1942 com 529 páginas citada na página 162.
  • Dicionário de folcloristas brasileiros de Mário Souto Maior publicado em 2000 com 252 páginas citada na página
  • 184.
  • Momentos de Música Brasileira de Léa Vinocur Freitag, edição de 2012, paginas 103 a 112.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

REINVENTAR AS BIBLIOTECAS É O PRÓXIMO DESAFIO.


31 de janeiro de 2014

Biblioteca Digital Escolar

Ednei Procópio

Pouco tempo depois, a mesma Google também anunciou uma parceria com o governo de São Paulo para capacitar, em 2014, cerca de 300 mil professores da rede estadual dos ensinos fundamental e médio para que estes utilizem nas atividades complementares as ferramentas online como o Gmail e o Google Docs. Na época, não foi citado o Google Books [e deve haver uma razão bem particular para isto].

O governo paulista também anunciou, no final de outubro, através do projeto Escola Virtual de Programas Educacionais [EVESP] uma parceria com a norte-americana Microsoft Corp para utilizar o pacote Office gratuitamente na rede estadual.

Em um último exemplo, o empresário Nolan Bushnell, criador do antológico Atari, sugere uso de videogames e jogos eletrônicos nas escolas como ferramentas de aprendizagem.

Como dito, a tecnologia está focando na educação. Mas, e os livros? Como ficam os livros nesta história toda? O mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks. Só para se ter uma ideia, a educação básica no Brasil possui pelo menos 50 milhões de alunos que necessitam de conteúdo de qualidade para seus estudos diários. E, segundo projeção do Ministério da Educação [MEC], até 2022 deve haver um incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação.

Se o próximo grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação, nosso País necessitará de um ecossistema de armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital que seja de fácil entendimento e manuseio pelas partes que compõe os ambientes pedagógicos.

Mas como desenvolver um ecossistema de leitura digital voltado à educação?

Neste novo mercado prestes a se intensificar, a questão da interoperabilidade [entre o hardware, o software e o conteúdo] se mostra um dos itens mais importantes para que as bibliotecas digitais não se tornem estantes inacessíveis. O hardware, em sua maioria, são os dispositivos de leitura [reading devices] fabricados por empresas privadas com interesses mercantis bastante díspares. O software, o mediador entre a máquina e o leitor, oscila entre linguagens de programação proprietárias e os chamados códigos abertos [open source]. E o conteúdo, nosso principal item, sempre dependerá dos dois primeiros para ser efetivamente acessado e usado em sala de aula.

Para que os agentes envolvidos e interessados na utilização das bibliotecas escolares [governo, editoras, autores, professores, alunos, etc.] se beneficiassem igualitariamente de um repositório digital, o desenvolvimento de seu ecossistema pode se basear no conceito de open source. Ou seja, de código fonte aberto, de acesso livre e irrestrito. A open source permitiria a democratização do acesso aos eBooks e, a meu ver, é o caminho mais próximo do ideal em médio e longo prazos.

Os acervos digitais, porém, devem estar sustentados por modernos modelos de negócios, porque um dos principais entraves para a construção de bibliotecas digitais é o investimento para se montar sua estrutura de trabalho. O investimento inclui desde a aquisição, a digitalização de obras, quando houver esta necessidade, até o emprego da tecnologia de Digital Rights Management [DRM] empregada para os controles de acesso as obras.

Minha proposta, descrita a seguir, é simular um ecossistema de conteúdo digital voltado à educação. Nesta proposta de trabalho, iremos levar em conta o emprego da tecnologia da informação, porque ela ainda é central quando se fala livros digitais [didáticos, paradidáticos ou de leitura complementar]. Propomos criar uma alternativa, uma solução para a problemática do livro em repositórios bibliodigitais, para que os profissionais interessados possam enfim vislumbrar um projeto factível e voltar suas atenções ao que realmente importa: a formação e a aprendizagem.

Leitura e educação na era digital

Antes de avançar com uma parte mais técnica, vamos contextualizar o cenário de onde partiremos. Algumas ações gerais podem nos ajudar a permear uma escola de leitores, entre elas, o desenvolvimento de uma rotina de leitura e o estímulo à indicação de livros.

Para estas ações anteriormente descritas se desenvolverem na prática, faz-se necessária a criação e manutenção de diversos ambientes interativos, ou salas de leitura digitais e conectadas. E o principal investimento é a criação de um acervo misto de livros em versão digital disponibilizado através do que chamaremos de Biblioteca Digital Escolar que, entre outros benefícios, deve permitir:
  • O acesso aos livros através de um rico acervo.
  • A possibilidade dos próprios alunos escolherem os livros que desejam ler.
  • Atender mais leitores com menos títulos.
  • Retiradas, devoluções e recolocações automáticas nas prateleiras digitais.
  • Adicionar mais títulos ao acervo já criado, sem a necessidade de investimentos em espaço físico, infraestrutura ou dispêndio operacional.
  • Um mecanismo de busca de uma Biblioteca Digital Escolar que permita a pesquisa de palavras em uma obra ou em uma coleção inteira de livros.
  • Análise dos relatórios detalhados sobre a utilização da biblioteca, melhorando a qualidade das decisões de aquisição de novos títulos.
  • E deve permitir os mesmos dispositivos de direitos de propriedade dos livros impressos [através de um sistema de gerenciamento digital de Direitos Autorais, o já citado DRM].
Estes e outros benefícios antes descritos podem ser o atrativo para os leitores que estão mais dispersos em outras mídias digitais interativas, fora dos ambientes pedagógicos tradicionais. Uma Biblioteca Digital Escolar é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos à distância, ou iniciativas de inclusão digital, por exemplo, que necessitam de acesso a uma biblioteca completa.

Nosso ecossistema terá um servidor central de conteúdo. Este servidor irá literalmente servir as estantes virtuais de eBooks que poderão ser criadas pelos próprios usuários. Estas estantes poderão ser temáticas conforme a necessidade de cada educador ou grupo de alunos. E estas estantes, por fim, irão alimentar as salas de leitura que serão formadas pelos usuários para que se possam realizar os trabalhos pedagógicos comuns a eles [como nas comunidades virtuais de ensino].

 O servidor de conteúdo

 Podemos utilizar se quisermos as soluções prontas, daquela empresa que quer dominar o mundo. Ou podemos desenvolver nossas próprias soluções. Iremos pelo caminho que nos trará mais aprendizado. Para construir nossa Biblioteca Digital Escolar precisaremos de um servidor de conteúdo, ele será o alicerce do nosso repositório, do nosso acervo central. Por servidor de conteúdo entende-se o sistema tecnológico que irá salvaguardar os objetos digitais e permitirá sua circulação para os usuários nas salas de leitura.

Tecnicamente, vamos chamar a base para a construção da nossa Biblioteca Digital Escolar de Library Content Server. O nome é apenas uma alegoria. Nossa biblioteca digital necessitará de um servidor de conteúdo escalonável e seguro, que pode ser um servidor dedicado ou podemos também, para minimizar os nossos custos, usar um servidor compartilhado de algum serviço de cloud computing [computação em nuvem].

No caso de projetos ligados às iniciativas públicas, há algumas instituições que já mantêm o seu próprio parque tecnológico que pode eventualmente ser usado para suportar nosso servidor. Como dito, o que realmente importa é que o nosso servidor de conteúdo digital será a base tecnológica da nossa biblioteca.

Ainda estamos no campo das ideias, mas o objetivo da nossa Library Content Server será tornar possível a customização de uma central de armazenamento e distribuição de eBooks para alunos e professores, com o controle dos usuários desde o login [ou seja, a entrada do leitor] até o acesso seguro aos conteúdos digitais [já que as editoras e autores fazem tanta questão]. Nossa proposta é uma solução que servirá para a hospedagem, armazenamento, distribuição, acesso e compartilhamento dos livros digitais.

Whitelabel pages

Para melhorar a rotina de utilização, nossa Library Content Server deverá permitir a criação de páginas customizadas para bibliotecas públicas e até particulares. Elas poderão ser usadas para a circulação de livros usando, neste módulo específico, o conceito de whitelabel. Ou seja, de páginas criadas de modo customizado conforme as necessidades e realidade do intermediador do conteúdo [que pode ser o próprio bibliotecário, já que uma lei assim impõe] ou do moderador da leitura [que pode, por exemplo, ser o educador].

Com esta ferramenta, cada escola pode criar a sua própria sala de leitura com suas estantes temáticas, a partir do repositório central, enchê-las de títulos e, mais tarde, permitir o compartilhamento das obras. Com este módulo, cada aluno ou educador poderá criar a sua própria página e organizar a sua própria estante de livros e também compartilhar conteúdo seguro através e com outras salas de leitura.

Através dos principais módulos, nossa Biblioteca Digital Escolar permitiria:
  • Criação de páginas customizadas [salas de leitura] para escolas, professores e alunos.
  • Criação de estantes e bibliotecas digitais portáteis e acessíveis.
  • Acesso ao painel de controle das salas, estantes e eBooks.
  • Acesso ao painel de controle dos Direitos Autorais em tempo real.
 Open share

O código-fonte por trás da estrutura da nossa Library Content Server deve ser baseado em uma licença freeware, livre de pagamento de royalties. Os provedores de conteúdo [autores, editoras, distribuidores, etc.] podem obter lucro com a exploração comercial do conteúdo disponibilizado, como hoje ocorre com o mercado de livros impressos, mas não seria estimulada a exploração comercial em cima da plataforma em si [com exceção do suporte técnico necessário].

Há custos envolvendo o desenvolvimento do acervo digital, principalmente na instalação, configuração e manutenção do sistema. Mas instituições, escolas, bibliotecas públicas e entidades que cuidam da questão da leitura poderão desenvolver o servidor de livros digitais Library Content Server sem os altos custos de licenças geralmente existentes em sistemas de igual complexidade.

As tecnologias que podem ser usadas na estrutura da Library Content Server são populares na internet e já amplamente difundidas e utilizadas por milhares de empresas no mundo todo. Nossa Library Content Server teria, salvaguardando alguns pormenores aqui ainda não detalhados, a seguinte estrutura tecnológica básica:
  • Servidor
  • Código fonte [linguagem de programação]
  • Scripts de segurança
  • Banco de dados
  • Front-end de leitura
  • Gateway de e-commerce
  • eBooks
As tecnologias devem ser de uso padrão e podem ser implantadas por profissionais facilmente encontrados em nosso mercado. Estes profissionais já estão familiarizados com estas tecnologias citadas e só precisam de um bom mapa de desenvolvimento para, enfim, construir o acervo central.

Por uma biblioteca descentralizada

Para que o projeto da nossa Biblioteca Digital Escolar não esbarre em corporativismos o e burocracias, precisamos criar mecanismos que criem a independência necessária principalmente para os casos em que nosso projeto esteja abaixo do poder público. Nada contra, creio apenas que o controle da nossa biblioteca deve ser feito de modo prático, descentralizado, com capacidade operacional plena.

Já existe hoje uma diversidade de programas governamentais, como é o caso do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Prossionais da Educação [Fundeb] e Plano de Ações Articuladas [PAR]. É possível levantar patrocínio através da iniciativa privada, que podem nos ajudar a enriquecer o nosso acervo sem precisarmos necessariamente ficar atrelados à supervisão ou controle que burocratize o projeto e torne os livros digitais tão inacessíveis quanto são hoje os livros impressos nas bibliotecas físicas em geral.

Vencido qualquer cenário burocrático neste sentido, há casos, e não é raro, em que o arquivo do livro, por conta de restrições contratuais e ou técnicas, não se encontrará ‘fisicamente’ dentro de nosso repositório central. Neste caso específico, nós poderíamos recorrer [se for o caso] aos metadados. A equação aqui é mais simples que lhe dar com burocratas. Precisamos estabelecer um padrão, de preferência aberto [um exemplo é a Onix for Books, mas, no Brasil, se usa geralmente o protocolo Marc 21] para os dados completos sobre o livro. Criamos uma rica indexação de obras com o objetivo único e final de levar o nosso usuário até os livros, independente de onde os arquivos estejam disponíveis.

Com o uso dos metadados, os dados sobre os livros, nossa biblioteca pode oferecer aos usuários comodidade na busca por títulos, assuntos, temas, escritores, coleções, e uma infinidade de palavras-chave que poderão direcioná-los até a estante mais próxima. O usuário poderá enfim encontrar o conteúdo que busca, mesmo que o material esteja longe do nosso próprio acervo.

Conforme dito, o servidor de nossa biblioteca pode ser construído em cloud computing [computação em nuvem], o mais importante, porém, é que os recursos da Library Content Server devam permitir que os objetos digitais armazenados possam ser acessados prioritariamente via web browsers [navegadores] a qualquer momento, a partir de qualquer dispositivo móvel.

O sistema das salas de leitura não deve restringir ou obrigar o usuário/leitor/aluno à instalação de nenhum aplicativo, componente ou plug-in em seu reading device [dispositivo de leitura]. O ideal é que os recursos de leitura e conteúdo estejam disponíveis dentro da própria solução e ambiente virtual de acesso. Os aplicativos, neste cenário, podem existir desde que não criem nenhum tipo de interferência [dependência] no acesso aos livros. Embora muitos aplicativos ajudem na exploração e experiência, muitos acabam criando muros maiores que os das bibliotecas físicas.

O front-end do sistema Library Content Server [ou seja, a interface final com o usuário — responsável pela montagem de cada estante, sala de leitura ou páginas dos livros] deve ser baseado no conceito de acessibilidade total. Isto quer dizer não só que os objetos digitais possam ser acessados e livremente lidos através principalmente dos navegadores que permitam o acesso à internet, mas que a rotina que permite a leitura deva obedecer às regras básicas da World Web Consortium [W3C] e do consórcio International Digital Publishing Forum [IDPF].

O front-end da biblioteca digital deve ‘rodar’ em qualquer navegador através de hardwares de leitura como desktops, notebooks, laptops, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, e-readers e até nas lousas digitais. O sistema deve permitir, enfim, o acesso e a leitura de arquivos nos formatos já amplamente utilizados pelos provedores de conteúdo, como PDF, Daisy, HTML5 e, claro, ePub.

O gerenciamento de Direitos Autorais

Os eBooks armazenados na Library Content Server devem ser tratados como objetos independentes, o que permitirá o compartilhamento seguro entre os usuários previamente cadastrados [bibliotecários, professores, alunos, escola, etc.], cada um com o seu perfil de acesso, com login e senha.

Os eBooks devem ser completamente livres de criptografias restritivas para que, portanto, possam ser acessados à partir de qualquer suporte de leitura, bastando apenas haver no mínimo o navegador com conexão via web.

A segurança dos objetos digitais deverá existir, é claro, mas podem tecnicamente estar alocadas em cada biblioteca, estante ou sala de leitura que, por sua vez, estará atrelada a conta de usuário, que necessitará estar previamente registrado na biblioteca para ter acesso aos livros liberados. Livros digitais em regime de Domínio Público, por exemplo, podem ser armazenados no sistema sem a necessidade de criptografia, senhas ou segurança. E, portanto, podem ser acessados mais rapidamente pelos usuários cadastrados.

Muito se tem falado a respeito do empréstimo nas bibliotecas digitais, mas a equação para esta questão é simples. Se há, por exemplo, apenas 100 exemplares digitais de um determinado título, licenciados e a disposição na biblioteca, somente estes 100 exemplares digitais poderão ser emprestados para os usuários. O usuário de número 101 na fila de leitura deve aguardar a devolução de um exemplar para o acervo central de um dos exemplares já emprestados da obra.

Para os livros em regime de Direito Autoral, um gateway de pagamento atrelado a Library Content Server pode permitir os pagamentos. E o repasse dos Direitos Autorais, dos casos específicos, pode ser realizado em tempo real tanto para a editora ou distribuidor, quanto para o autor, que podem resgatar os valores através de um dashboard [painel de controle].

Nenhum livro, porém, deve ‘subir’ para o servidor da Library Content Server sem a autorização prévia da editora, autor, distribuidor ou do detentor dos Direitos Autorais [através de um contrato, de preferência por escrito, de autorização]. Desencorajamos qualquer ação contrária nesse sentido.

É importante incluir no projeto de desenvolvimento uma rotina de trabalho de convencimento dos detentores de conteúdo com relação às licenças, através de uma política de aquisições clara, objetiva e transparente.

Definindo a política de aquisições

Embora tenhamos o desafio nas aquisições dos títulos frente a um mercado carente de entendimento, a logística do livro digital é mais simples do que o problema enfrentado com relação à distribuição e logística dos livros físicos. No caso dos livros impressos, o trabalho do bibliotecário é realizado de modo mais tranquilo porque historicamente os autores e editoras já conhecem a finalidade das compras.

A aquisição de um eBook por parte de um bibliotecário torna-se, porém, um desafio na medida em que os detentores dos Direitos Autorais [editoras, distribuidores, autores] insistem em saber como, onde e de que forma os livros adquiridos serão acessados pelos usuários.

A questão que surge é que não há um nível seguro de conhecimento de todos os envolvidos que permita uma rápida tomada de decisão. O que pode tornar o processo mais lento. E para que o trabalho cotidiano do bibliotecário não se altere drasticamente, o ideal é que o profissional tenha em mãos os limites territoriais, de idioma e de temporalidade de sua biblioteca digital para que o detentor dos Direitos Autorais possa enfim licenciar as obras [e colaborar com o projeto].

Para obter uma quantidade maior de títulos, uma biblioteca não precisa necessariamente estar diretamente atrelada a, por exemplo, uma plataforma de autopublicação. É muito importante ponderar, em nosso projeto, a fase de aquisição de conteúdo digital, e o seu modelo, e separarmos da seção de oferta de títulos para o leitor. Ou seja, em uma ponta nós iremos adquirir os títulos, neste momento, poderíamos até eventualmente manter parceria com projetos de autopublicação; mas, na outra ponta, teremos a disponibilização dos títulos. Uma ferramenta de autopublicação atrelada a nossa biblioteca só iria atrapalhar a nossa curadoria de conteúdo.

Na hora de adquirirmos os títulos para o nosso repositório, temos de ter a clara noção do nosso modelo de oferta. Se a aquisição é perpétua, por meio de uma licença, por um longo ou curto período de tempo, o ideal é que esta aquisição esteja sempre vinculada à demanda e direcionada unicamente ao usuário. Lá na ponta, o usuário tem de estar bastante familiarizado com as possibilidades de acesso ofertadas [assinatura, aluguel, pay per view, etc].

Nossa biblioteca poderá adquirir os títulos através dos próprios autores, de suas respectivas editoras, ou de distribuidores, o que for melhor em cada caso, dependendo da oferta e da demanda do acervo central. Em cada um dos casos, o ideal é que haja um contrato firmado e registrado que estipule as regras mínimas de compartilhamento do conteúdo adquirido.

Para eliminar custos na aquisição de conteúdo, o ideal é que o nosso acervo central seja o próprio ‘agregador’ de conteúdo, dessa forma estaremos mais aptos a negociação com os detentores dos Direitos Autorais.

A aquisição do conteúdo digital será quase sempre orientada ao usuário [usando a aplicação do conceito patron driven acquisition] e independente da política de acesso dispensada ao leitor, o ideal é que esta aquisição do exemplar digital em si seja sempre perpétua.

O ideal também é que toda essa gestão de aquisições e do controle de acesso dos usuários seja realmente desenhada pelo profissional bibliotecário. Que deve estudar minuciosamente o seu público leitor antes de definir prioritariamente a política de acesso [que será obviamente baseada no modelo de negócios], para, enfim, definir o modelo de aquisição dos títulos.

A aquisição de conteúdo estará intimamente ligada com o nosso modelo de disponibilização. Ao mesmo tempo em que elaboramos de que modo podemos adquirir conteúdo para a nossa biblioteca digital, precisamos pensar também de que modo iremos compartilhar este conteúdo com o nosso usuário final [escola, professor, aluno, etc.].

Definindo a política de acesso

Conforme nossa biblioteca for crescendo em tamanho de títulos e usuários, outros desafios virão. A começar pela própria bibliodiversidade até o número de exemplares digitais disponíveis para cada título [que, como já dito, estará por sua vez automaticamente ligado ao modelo de permissão de acesso ao usuário].

A política de acesso de cada biblioteca digital estará intimamente ligada com o seu modelo de negócios. Ou seja, as aquisições e compras só poderão ser efetuadas se o modelo de acesso for bem especificado. Por exemplo, a biblioteca pode ter um modelo na qual o usuário pague uma assinatura [pay per view]. O usuário pode optar pelo empréstimo em curto ou longo prazo.

Cada biblioteca digital pode ter definidas as suas próprias políticas de acesso aos conteúdos. Cada política de acesso deve estar visivelmente bem clara a todos os atores do projeto para que a comunicação, desde a aquisição das coleções, até a sua disponibilização, se mantenha clara e objetiva.

Propomos enfim, em nosso projeto, uma política de acesso universal e irrestrita que mantenha ao mesmo tempo resguardados os Direitos Autorais, mas, principalmente, o direito do acesso à informação e ao conhecimento em primeiro plano.

Eis aqui o nosso check list básico:
  • Definição da política de acesso dos leitores/usuários.
  • Definição da política de compra dos eBooks.
  • Definição do modelo de negócios da biblioteca.
Estes três itens básicos irão melhorar o desempenho da nossa Biblioteca Digital Escolar na medida em que irá baixar o nível de convencimento dos detentores de Direitos Autorais e propiciará melhora na comunicação com o leitor, usuário, aluno, etc.

Nossa arquitetura bibliodigital

Independente do modelo de negócios por trás de um acervo [público ou privado], e para que o modelo a ser seguido obtenha um alto valor agregado, uma arquitetura bibliodigital deve ser inteiramente portátil, ou seja, deverá ser carregada através de qualquer dispositivo móvel.

Insisto [já pedindo desculpas pelas repetições] que essa arquitetura deva ser inteiramente acessível, ou seja, deve permitir o armazenamento e acesso de conteúdo através das tecnologias populares e já amplamente conhecidas.

Desenvolver uma arquitetura bibliodigital exigirá, do projeto e da equipe envolvida, interoperabilidade computacional, integração do ecossistema com outras soluções de ensino a distância, portais de conteúdo e plataformas de eBooks. Estes itens devem ser minuciosamente observados levando-se em conta àqueles tantos outros tão importantes já citados, como:
  • A computação em nuvem [ou seja, uso dos serviços de acesso sob demanda e utilizando-se de recursos computacionais compartilhados].
  • A mobilidade da biblioteca digital proposta.
  • A portabilidade do conteúdo através de diversos dispositivos de leitura.
  • A bibliodiversidade do conteúdo na biblioteca.
  • A acessibilidade total a biblioteca através do uso de softwares livres.
Professor também é leitor

Nossa Biblioteca Digital Escolar poderá ser utilizada não somente pelos alunos, mas também pelos professores, que também carecem muitas vezes de seu próprio hábito de leitura. Se o professor tem a oportunidade de melhorar sua leitura, se tornará ainda mais producente criar e incentivar este hábito no educando.

O educador não precisa substituir o profissional bibliotecário, em seu trabalho mais técnico, mas pode ser o agente de leitura nas salas que permitiremos criar. O educador pode ser o moderador das salas de leitura [comunidade de leitores].

Pensando em um cenário onde ambos os profissionais possam atuar em nosso ambiente de leitura, nós podemos contar com a colaboração tanto dos professores quanto dos bibliotecários nos aspectos que tangem:
  • A organização do acervo com uma variedade reconhecível de títulos.
  • Ajudar o leitor a desenvolver o senso crítico do mundo que o cerca.
  • Colaborar com o desenvolvimento intelectual do aluno.
  • Colaborar com a formação e o crescimento cultural e, portanto, social dos alunos através de uma leitura complementar.
Ao criar um espaço conectado, de livre frequência, estaremos possibilitando o acesso aos livros sem as intermediações que hoje criam obstáculos para a formação de novos leitores. O ideal é que a nossa biblioteca também crie para o professor a oportunidade de ter acesso a uma produção editorial, tanto quanto os alunos que farão uso para os mais variados objetivos.

Fazendo-se cumprir a lei

A Biblioteca Digital Escolar pode se transformar em uma coleção de livros, materiais e documentos registrados em suporte digital, destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura. Com a Biblioteca Digital Escolar, o professor pode ter em mãos uma poderosa ferramenta de estímulo ao desenvolvimento de jovens estudantes nos campos de leitura e um verdadeiro acervo para a construção da arte do saber e do conhecimento.

Segundo a Lei N°12.244, decretada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Governo em 25 de maio de 2010, todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País deverão contar com bibliotecas. Com a Biblioteca Digital Escolar, a instituição de ensino poderá se preparar e se antever a realidade da Lei N°12.244 que diz:

Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos”.

Segundo Dados do Censo Escolar, de 2009, há 99.896 escolas do Ensino Fundamental e 7.174 escolas do Ensino Médio sem bibliotecas. Segundo o Censo Escolar de 2011, seria 113.269 escolas públicas sem biblioteca. É fato que praticamente 80% das escolas públicas não têm bibliotecas. Mas é fato também que, para melhorar o nível de leitura nas escolas, não precisaríamos de novas leis [como é o caso daquela de número 12.244], se realmente colocássemos a mão na massa. Mas já que a lei foi criada, nós podemos usar de suas prerrogativas para ajudar a levar livros às escolas através das bibliotecas conectadas.

Em meados de agosto de 2013 foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação. É importante lembrar que uma biblioteca digital também pode cumprir o papel de uma biblioteca pública. Um espaço de leitura conectado não deve substituir as tão sonhadas bibliotecas físicas escolares, mas podem criar um caminho alternativo para a construção de um País letrado.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que pelo menos metade das escolas de educação básica seja de tempo integral até o início da década de 2020, quando se deve alcançar o incremento de 120 bilhões de reais oriundos dos royalties do pré-sal. Se estudantes das escolas públicas terão mais tempo dentro das escolas, precisaremos de mais ferramentas em quantidade e qualidade para aprender mais e melhor.

O País precisaria construir mais de 100 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei [mais de 30 unidades por dia]. Precisaremos investir ao mesmo tempo em mais bibliotecas, para atender a lei 12.244 e, ao mesmo tempo, precisaremos de mais laboratórios ou salas de informática. Poderíamos ganhar tempo com a construção das bibliotecas digitais e reinvestir o montante da diferença dos exemplares impressos em mais títulos digitais.

Uma biblioteca digital pode ajudar no desenvolvimento da educação com investimentos menores do que a construção de bibliotecas de tijolos. Nossa ideia, com o nosso projeto de instalação de ambientes de leituras conectados, é criar maneiras sustentáreis de se fazer cumprir a lei, e de colaborar com a expansão do número de leiturasem nosso País.

Inúmeras oportunidades de crescimento

A tecnologia está com seus olhos voltados para a educação e o mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks.

Conforme registrado, os futuros royalties do pré-sal podem gerar um incremento da ordem de mais de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do próprio Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], autarquia do MEC responsável pelos programas do livro didático e da biblioteca da escola, mostram que as escolas públicas da educação básica receberam 43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, no período de2005 a 2010.

Outros números apontam que haverá um aumento de 42% no gasto por estudante da educação básica entre 2014 e 2022. No mesmo período, a média de alunos na pirâmide demográfica brasileira será de aproximadamente 50 milhões de jovens entre 5 e 19 anos.

Existem 5.564 secretarias municipais, e 27 secretarias estaduais, cuidando da educação no País com quem podemos firmar convênios para a construção das salas de leitura digital. Entre elas aquela já citada no início deste artigo que comporta a VESP. No geral, são 190 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com dois milhões de professores de educação básica.

Repositórios digitais no futuro

Embora os eBooks possam ser utilizados como ferramenta complementar no sistema de ensino aprendizagem, eles ainda não estão amplamente sendo utilizados na área da educação. Isto ocorre porque ainda estamos em uma fase onde inúmeros projetos ainda tentam de certo modo mimetizar os processos de acesso aos conteúdos já existentes, ao invés de criar um novo cenário utilizando as inúmeras possibilidades que a tecnologia da informação nos permitiria.

Um dos principais motores dessa transformação no modo de ‘ambientalizar’ o processo de aprendizagem é a disseminação dos recursos onipresentes da computação, entre eles a própria internet. Já existem boas alternativas, mas ainda há muitos entraves de ambos os lados, tanto pelo lado da educação, que ainda tenta testar o modelo nas escolas, quanto da própria tecnologia que ainda não se provou realmente eficiente na falta, muitas vezes, do equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os impeditivos da utilização dos eBooks na educação passam também pela chamada exclusão digital, pelo analfabetismo funcional, pela falta de acesso e conexão à internet, entre outras questões ainda mais sérias e infelizmente não resolvidas. Os números da falta de leitura no Brasil, por exemplo, são alarmantes. Em qualquer pesquisa ou estudo que se analise, entre eles o indicador Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], o que se percebe é uma lentidão generalizada na construção de novas bibliotecas, na abertura de novas salas de leitura e na formação de novos leitores.

E é neste sentido que a tecnologia do livro digital pode ajudar na disseminação da literatura através de dispositivos móveis em lugares aonde as bibliotecas de tijolos não chegarão até 2020.

Um texto forma uma página. Uma página forma um livro. Um livro forma uma estante. Uma estante forma uma biblioteca. E uma biblioteca pode ajudar na formação de um leitor usando os ambientes virtuais como as salas de leitura aqui propostas.

Os eBooks devem transformar a realidade das bibliotecas no Brasil e no mundo. Com apenas um único dispositivo de leitura em mãos, o leitor pode acessar infinitas páginas, de diversos livros, de muitas estantes, de uma Biblioteca Digital Escolar. E a educação,em nosso País, deve se preparar para lidar com uma nova demanda que já foi criada com o advento do livro digital. Para isso, o reinvento das bibliotecas se torna o próximo desafio para toda a sociedade.

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. 

BOA PERGUNTA.

Por que no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existem tantas pessoas que não amam o próximo ?

DOIS MILHÕES DE ESPÍRITOS FRANCESES REENCARNARAM NO BRASIL

Você sabia que, em entrevista a Herculano Pires, em 1973, no programa No limiar do amanhã*, Chico Xavier revelou que milhões de espíritos de cultura francesa reencarnaram no Brasil para continuar a divulgação do espiritismo?
 
Herculano comentava que o Brasil era a primeira grande nação do Ocidente a se tornar basicamente reencarnacionista, por influência não só do espiritismo, mas também das religiões africanas, que foram trazidas aqui pelo contingente negreiro. E acrescentava que ainda mais curioso era o fato de ter havido no Ocidente apenas uma nação reencarnacionista no passado: a França (aí incluindo-se as Gálias antigas, envolvendo a Irlanda e a Inglaterra). Chico então diz que gostaria de aprofundar a questão, pedindo licença para aditar sobre os apontamentos de Emmanuel, em 1965:
 
– Perguntei a ele onde estavam aqueles companheiros de Allan Kardec que vibravam com a doutrina espírita na França. Então ele me disse que do último quartel do século 19 para cá, cerca de 15 a 20 milhões de espíritos da cultura francesa e, principalmente, os simpatizantes da obra de Allan Kardec reencarnaram no Brasil para dar corpo às ideias da doutrina espírita e fixarem os valores da reencarnação. Nós nos reportamos muito mais à França como terra mater de nossa espiritualidade do que Portugal, até porque isso está no conteúdo psicológico de milhões e milhões de brasileiros que estão fichados, por certidão de cartório, como brasileiros, mas psicologicamente são franceses.*Programa radiofônico exibido pela Rádio Mulher,de São Paulo, e apresentado por J. Herculano Pires, entre os anos de 1971 e 1974.
 
- Divaldo, Deus te abençoe. É tão difícil entender que no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existam tantas pessoas que não amam o próximo. Por quê?
- Porque não são Espíritos do Brasil. Vêm de outras pátrias, de outras raças. Não são almas brasileiras. Vêm para cá, porque, se ficassem nos seus países de origem, os sentimentos de rancor e ressentimentos torna-los-iam mais desventurados.
 
Após a Revolução Francesa de 1789, quando a França se libertou da Casa dos Bourbons, os grandes filósofos da libertação sonharam com os direitos do homem, direitos que foram inscritos nos códigos de justiça em 1791 e que, até hoje, ainda não são respeitados, embora em 1947, no mês de dezembro, a ONU voltasse a reconhecê-los. Depois daquele movimento libertário, o que aconteceu com os franceses? Os dois partidos engalfinharam-se nas paixões sórdidas e políticas e como conseqüência, os grandes filósofos cederam lugar aos grandes fanáticos, e a França experimentou os dias de terror, quando a guilhotina, arma criada por José Guilhotin, chegava a matar mais de mil pessoas por dia. Esses Espíritos saíam desesperados do corpo e ficavam na psicosfera da França buscando vingança.
Começa o século XIX e é programada a chegada de Allan Kardec. O grande missionário vai reencarnar na França, porque a mensagem de que é portador deverá enfrentar o cepticismo das Academias na Cidade-Luz da Europa e do mundo e, naquele momento, Cristo havia designado que o Espiritismo nasceria na França, mas seria transplantado para um país onde não houvesse carmas coletivos, e esse país, por enquanto, seria o Brasil.
 
São Luis, o guia espiritual da França , cedeu que a terra gaulesa recebesse Allan Kardec, mas “negociou” com Ismael, o guia espiritual do Brasil: “Já que a mensagem de libertação vai ser levada para a Terra do Cruzeiro, a França pede que muitos Espíritos atribulados da Revolução reencarnem no Brasil, pois, se reencarnarem aqui impedirão o processo da paz”. E dois milhões de franceses vieram reencarnar no Brasil, para que, quando chegasse a mensagem espírita, culturalmente se identificassem com o chamado método cartesiano de Allan Kardec. (sem grifos).
 
Naturalmente, esses Espíritos eram atribulados, perturbados, com ressentimentos, com mágoas. Se nós considerarmos que os Espíritos brasileiros são os índios, que a maioria de nós é constituída por Espíritos comprometidos na Eurásia, e que estamos aqui de passagem, longe dos fenômenos cármicos para nos depurarmos, compreenderemos porque muitos brasileiros do momento ainda não amam esta grande nação. E o primeiro sentimento que têm quando, ao invés de investir em fortunas, honesta ou onestamente amealhadas no solo brasileiro, eles as mandam para os países estrangeiros. Não confiam no Brasil, porque são “de lá”. Mandam para lá porque, morren aqui, o dinheiro fica lá para poderem “pagar” o carma negativo que lá deixaram. Os camados “paraísos fiscaistambém lugares de alguns de nós que aqui nos encontramos, mas apesar de ainda não Viajando pelo mundo, onde tenho encontrado brasileiros espíritas, descubro uma célula espírita. Começa-se com um estudo do Evangelho no lar, depois chama-se os amigos, os vizinhos, forma-se um grupo e, hoje, na Europa. 90% dos grupos espíritas são criados por brasileiros. Com exceção de Portugal, Espanha e um pouquinho da França, o movimento é todo de brasileiros e latinos acendendo as labaredas do Evangelho de Jesus. Não há pouco tempo, brasileiros na Holanda encontraram as obras de Kardec traduzidas para o holandês, brasileiros na Suíça revisaram O Evangelho segundo o Espiritismo e se está tentando publicar as obras de Kardec, agora em alemão. Brasileiros na América do Norte retraduziram O Livro dos Espíritos e O Evangelho, que o foi por um protestante, que substituiu a palavra reencarnação por ressurreição. Brasileiros em Londres, com alguns ingleses, já formam oito grupos espíritas e seria fastidioso se fosse enumerando na Ásia, na África...
 
Certa feita, recebi um telefonema de uma cidade asiática. Tratava-se de uma consulesa do Brasil que me dizia o seguinte: “Eu estou no outro lado do mundo, sou espírita, tenho três filhos rapazes – um de 10, um de 14 e outro de 18 anos. Tenho-lhes ensinado o Espiritismo, mas o meu filho mais velho está na Universidade e me faz perguntas muito embaraçosas; aqui eu não tenho acesso a maiores instruções. Queria convidá-lo a vir aqui dar umas aulas de Espiritismo ao meu filho. Você viria?” Eu respondi-lhe: - Sim, senhora, com a condição de conseguir-se espaço para eu falar em auditório publico sobre o Espiritismo: - O marido era o representante dos negócios do Brasil no país. – Se a senhora aceitar a condição, ficaria alguns dias para debater com os seus meninos. Como não falo inglês, seu filho será o meu intérprete.
 
E assim, fiz a longa viagem de 36 horas com escalas e lá, naturalmente, ela me disse: “Mas, Divaldo, onde vamos ter esse encontro?” Eu lhe respondi: “Tive uma entrevista com o Baghavan Swami Sai Baba, e sei que essa é uma cidade em que há um grande movimento Babista e, se a senhora conseguir um grupo Sai Baba eu me prontifico a fazer uma conferência ali”.
 
Encontramos o representante de Sai Baba para a Ásia e ele ficou muito feliz porque Swami havia-me recebido. Ele reuniu mil pessoas para que eu falasse sobre o Espiritismo. Fiquei até com pena dele! E pensei: “Vou arrastar toda a turma de Sai Baba para o Sr. Allan Kardec” (risos...)
 
Então, fiz a palestra, falei sobre Allan Kardec, sobre as comunicações, ele ficou tão sensibilizado, que me perguntou se eu teria coragem de ir a Cingapura para fazer a mesma coisa. Eu lhe respondi: - O senhor me mandando até o CingaInferno eu irei para falar sobre o Espiritismo. Fui a Cingapura e fiz uma viagem pela Ásia e, onde havia brasileiros, lá estavam eles...
 
A missão do Brasil, “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” não é a de sermos todos ricos, maravilhosamente ricos; é a de sermos maravilhosamente espiritualizados, sem nenhum demérito para os outros países, que são todos amados por Deus e por Jesus em igualdade de condição. Aqui entra o nacionalismo, para ver se a gente ama um pouquinho mais este país que está passando uma fase de grande desprestígio. Deus só tem ajudado no Tênis! Que Ele tenha compaixão de nós e nos ajude também no Futebol e noutra coisa qualquer! (risos...)
 
Nós somos as cartas vivas do Evangelho. Jesus escreveu em nossa alma a Sua mensagem. Onde quer que vamos, que brilhe a nossa luz; mas, para que ela brilhe, é necessário que a acendamos, e o combustível dessa luz é a fraternidade. Assim, todos saberão que estamos ligados a Ele, graças à presença dos bons Espíritos, que aqui estão conosco, e sempre se encontram a qualquer hora. Como disse kardec, com muita propriedade, todos têm seu Guia espiritual que os inspira; dessa forma, todos são médiuns, estão sintonizados com esses.
 
Concluirei com uma pequena narrativa, sobre um homem que era muito ignorante, muito modesto, muito pobre. Todo dia ele entrava na igreja, próximo ao horário de fechar as portas; ajoelhava-se diante do altar-mor, ficava dois minutos e saía. O sacerdote, que cuidava da igreja, ficou muito intrigado, e achou que ele estava observando algo para furtar ou para roubar,passando a ficar mais vigilante. Mas, ele chegava, ajoelhava-se, dobrava-se, balbuciava algo e ia-se embora. Um dia, o sacerdote não suportou mais e perguntou: “O que é que você vem fazer aqui, um miserável como é? Por que não vem à missa? Só vem na hora em que a igreja vai ser fechada?” Ele respondeu: “É porque eu sou muito pobre.” O sacerdote continuou: - “E por que vai ao altar-mor. Como se atreve?” Ele respondeu: - “Pois é, quando a igreja vai fechar, eu entro correndo e digo: Jesus, eu estou aqui. Se precisar, é só chamar! E vou embora”. O sacerdote achou aquilo intrigante.
Anos depois, aquele mendigo adoeceu e foi levado para uma casa de emergência, de caridade. Quando, um dia, a enfermeira foi colocar o seu alimento sobre uma cadeira, ao lado da cama, ele pediu: - “Oh, por favor, não bote aí!” A jovem perguntou: - “Por que não?” E o homem respondeu: - “Porque essa cadeira de vez em quando, fica ocupada.” Ele deveria estar delirando, a enfermeira pensou, e respeitou-o. Começou a notar que todo dia, um pouco antes das 18 horas, o rosto dele se iluminava! Ele sorria e dizia: - “Muito obrigado! Muito obrigado!” Ela achava que era delírio mas, como ele era perfeitamente saudável da mente, num desses dias, quando terminou de agradecer, ela indagou: - “Não repare, mas o que você está agradecendo?” Ele esclareceu: - “É a uma visita que chega todo dia cinco para as seis.” Ela continuou: - “Que visita é essa?” - É Jesus. Ele sempre vem e diz-me: - “Olhe, estou aqui. Se precisar de mim é só chamar!...”
 
Se precisarmos de Jesus, é só chamarmos! (XIF-2001)
 
Texto extraído do livro: APRENDENDO COM DIVALDO. Entrevistas / Divaldo Pereira Franco: São Gonçalo, RJ: Organizado pela SEJA, Editora e Distribuidora de Livros Espíritas, p. 69-74.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

LEIA E SINTA AS EMOÇÕES DOS PERSONAGENS.

Livro permite que leitor sinta as emoções dos personagens fisicamente

Época - 30/01/14
A partir de um projeto chamado "Ficção Sensorial", os pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA, criaram um protótipo de livro que permite que o leitor sinta fisicamente sensações relacionadas às emoções dos personagens da história.
Funciona assim: o leitor veste uma espécie de colete que possui vários controles e começa a ler o livro. A capa deste possui uma série de mecanismos – em sua maioria, luzes – que são acionados de acordo com a página em questão. Desta forma, o colete e o livro trabalham em conjunto.
Toda vez que o leitor vira a página, o livro se programa para começar a transmitir as sensações daquela parte da história em particular. Por exemplo: se o protagonista está assustado, o colete faz uma leve pressão no leitor, de forma que ele sinta um ‘aperto no peito’. Ou, se o personagem estiver triste, as luzes do livro se ajustam para refletir tal emoção.

O livro escolhido para ser utilizado como o primeiro protótipo foi ‘The Girl Was Plugged In’, ficção científica da autora Alice Sheldon (sob o pseudônimo de James Tiptree Jr.), publicado pela primeira vez em 1973.

ESPÍRITAS E ESPÍRITAS.

Existem espíritas praticantes e não-praticantes?

Ouve-se, com certa freqüência nos ambientes doutrinários, algumas frases que expressam dúbias interpretações sobre o que seja “ser espírita”. Companheiros que ainda não se sentem devidamente ajustados aos parâmetros propostos pelos roteiros da codificação dizem: “ainda não sou espírita, estou tentando!”, outros, desejosos em amealhar algum crédito de aceitação nos grupos, dizem: “Quem sou eu para ser espírita?”, “Quem sabe um dia serei!”. Ser espírita é ser melhor hoje do que ontem, e buscar amanhã ser melhor do que hoje.
Reforma Íntim - Renovando atitudes - Hammed

MINEIROS ILUSTRES - GODOFREDO RANGEL.

Biografia

Godofredo Rangel nasceu em 21 de novembro de 1884, filho de João Sílvio de Moura Rangel e Clara Augusta Gorgulho Rangel. De 1884 a 1886, reside com os pais em Três Corações e Carmo de Minas (ex-Silvestre Ferraz), em Minas Gerais. Aos 12 anos já escrevia, desde pequenos jornais manuscritos, com noticiários, páginas literárias, até peças de teatro nas quais atuou muitas vezes com papéis femininos.
Com a morte do pai, Godofredo se mudou, entre 1886 e 1902, para São Paulo, onde estudou no Colégio Oficial e ingressou na Faculdade de Direito das Arcadas - USP. Nessa época, mediante as dificuldades financeiras da família, começou a trabalhar como escrivão de subdelegacia em um Posto Policial, em 1902. Em um de seus plantões conheceu o jovem poeta Ricardo Gonçalves.
Rangel foi transferido, algum tempo depois, para Belenzinho, onde alugou um chalé, na Rua 21 de Abril, endereço que ficou conhecido como “Minarete”, uma república de estudantes, onde seria a sede do “Cenáculo”, quando Godofredo conheceu Monteiro LobatoLino Moreira, Tito Lívio Brasil, Albino Camargo, Cândido Negreiros, Raul de Freitas e José Antonio Nogueira. Começam a freqüentar o Café Guarany, onde têm mesa cativa, centro da boemia literária do grupo.
Em 1903 inicia a correspondência com Lobato que irá, mais tarde, constituir o livro “A Barca de Gleyre”. É nesse ano que surge, também, o jornal “Minarete”, de Pindamonhangaba, de propriedade de Benjamim Pinheiro, que durou até 1907, e vários integrantes do grupo se iniciaram nas letras nesse jornal.
Godofredo se mudou para Campinas, em 1904, onde lecionou no Instituto Cesário Mota, célebre educandário da cidade, hoje extinto. Ainda em 1904 retornou a Minas Gerais, e fixou-se em Silvestre Ferraz, atual Carmo de Minas, onde lecionou. Conheceu José Fernandes, diretor do Colégio, que inspirará um de seus maiores personagens. Iniciou o namoro com a futura esposa.
Em 1906, já bacharel, casou-se com Bárbara Pinto de Andrade, que conhecera em Caldas. Em 1907 foi nomeado Promotor Público de Cambuí (MG), resignando ao cargo sem conhecer a comarca. Visita Monteiro Lobato, então Promotor Público em Areias, no Vale do Paraíba (SP). Em 1909 ingressou na Magistratura, e foi nomeado Juiz Municipal do Machado (MG), local que retratará em passagens do romance de estréia.
Em 10 de junho de 1909 nasceu seu primeiro filho, Nello, o maior responsável pelas informações sobre Godofredo; em 3 de maio de 1911, o segundo filho, Caio; em 7 de dezembro de 1912, o terceiro, Tullio.
Em 1916, suicidou-se em São Paulo o amigo Ricardo Gonçalves, poeta dos “Ipês”, provocando grande abalo nos membros do grupo.
Em 1917 publicou os capítulos do romance “Vida Ociosa”, no “Estadinho” (edição vespertina do Estado de São Paulo), toda a “Falange Gloriosa”, em rodapé, e contos de “Andorinhas”. Publicou a gramática “Estudo Practico de Português”. Em 21 de fevereiro de 1917 nasceu sua filha, Duse.
Em 1918, deixou Santa Rita do Sapucaí (MG), para onde fôra removido. Promovido a Juiz de Direito, serviu em Estrela do Sul, Três Pontas e Passos, lecionando sempre. Em Sapucaí, visando melhorar a receita, foi contador de uma usina elétrica.
Após muita persistência dos amigos, Godofredo consentiu, em 1920, na publicação de “Vida Ociosa – romance da vida mineira”, em livro, edição da Revista do Brasil, de Monteiro Lobato & Cia Editores. Em 1922 publicou seu primeiro livro de contos, “Andorinhas”, pela mesma editora; em 1929 publicou “A Filha”, uma narrativa romântica, em edição da Imprensa Oficial de Minas Gerais.
os romances “Falange Gloriosa” e “Os Bem Casados” foram publicados postumamente em 1955. Rangel traduziu cerca de 70 obras, muitas delas publicadas por Lobato naCompanhia Editora Nacional.
Em 1937 aposentou-se como Juiz de Direito de terceira entrância, titular da comarca de Lavras (MG), e foi residir em Belo Horizonte. Em 1939 foi eleito para a Academia Mineira de Letras (AML), ocupando a Cadeira número 13, cujo patrono é Xavier da Veiga e fundador Carmo Gama.
Em 1943 lançou dois livros infantis, “Um passeio à casa de Papai Noel” e “Histórias do tempo do onça”, ambos pela Companhia Editora Nacional, São Paulo. Em 1944 publicou o segundo livro de contos, “Os Humildes”, pela Editora Universitária, de São Paulo, com prefácio de Lobato.
Em 1944, Monteiro Lobato publicou a primeira edição de “A Barca de Gleyre”, englobando a correspondência entre ele e Godofredo por mais de 40 anos, de 1903 até 19481 . Rangel recusou-se terminantemente a publicar suas cartas, alegando que elas não possuíam outro mérito além de provocar excelentes respostas de Lobato. Anos mais tarde o segundo volume de “A Barca de Gleyre” foi publicado, novamente com o habitual silêncio de Rangel.
Em 1948 faleceu Monteiro Lobato, e Rangel publica dois belos artigos lembrando o companheiro de toda a vida2 . No dia 4 de agosto de 1951, três anos após a morte de Monteiro Lobato, Godofredo Rangel faleceu em Belo Horizonte, aos 66 anos, vítima de uma enfermidade que há muito o rodeava. Muitos dos seus amigos do “Minarete” já haviam falecido. Foi sepultado em 5 de agosto no Cemitério do Bonfim, na Capital mineira.
Em 1955 foram publicados, em edições póstumas, os romances “Falange Gloriosa” e “Os Bem Casados”, ambos pela Melhoramentos.
Não consegui foto dele. Se alguém puder nos ceder, ficaremos gratos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O QUE É A RIQUEZA PRA VOCÊ?

O que é Riqueza prá você ? - Texto excelente para Reflexão

Fabuloso texto escrito por Armando Fuentes Aguirre (Catón), jornalista mexicano.
“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune",
porque fui vítima de uma omissão inexplicável.
Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo,
e nesta lista eu não apareço.
E eu sou um homem rico, imensamente rico.
Como não?
Vou mostrar a vocês:
Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê,
e saúde, que conservo não sei como.
Eu tenho uma família, esposa adorável,
que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha;
filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades;
e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.
Eu tenho irmãos que são como meus amigos,
e amigos que são como meus irmãos.
Tenho pessoas que sinceramente me amam,
apesar dos meus defeitos,
e a quem amo apesar dos meus defeitos.
Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes
porque eles leem o que eu mal escrevo.
Eu tenho uma casa, e nela muitos livros
(minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).
Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim,
que todo ano me dá maçãs
e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.
Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue,
e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.
Eu tenho olhos que veem e ouvidos para ouvir,
pés para andar e mãos que acariciam;
cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros,
mas que para mim não haviam ocorrido nunca.
E eu tenho fé em Deus
que vale para mim amor infinito.
Pode haver riquezas maiores do que a minha?
Por que, então, a revista "Fortune"
não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta?"
* * *
E você, como se considera?
Rico ou pobre?
Há pessoas pobres, mas tão pobres,
que a única coisa que possuem é ... DINHEIRO.

O BRASIL PRECISA DE ELEITORES, LEITORES.

Sem leitura, não se formam cidadãos

Mônica Gouvêa

A solução de Patrícia Aldana, editora guatemalteca radicada no Canadá, é conectar adultos disponíveis e prepará-los para serem mediadores de leitura, além de criar situações que permitam a sua atuação. Aldana relata que esse trabalho é feito no Irã para atender ao 1 milhão de crianças refugiadas do Afeganistão.

A formação de mediadores de leitura e a aquisição de livros são coordenadas pelo Ibby (International Board on Books for Young People), entidade não governamental.

Na Faixa de Gaza, também foram formados mediadores pelo Ibby e criadas duas bibliotecas. Seu acervo é bastante diversificado e, surpreendentemente, o livro preferido das crianças de lá é `Cinderela`.

Na China, há um grupo de colégios nos quais todo o ensino é estruturado a partir da leitura e, no México, escolas possuem voluntários que leem livros para os alunos nos intervalos de lanche e almoço.

Em Toronto (Canadá), durante anos, existiu um clube de leitura semanal de mães e filhos. No início, as crianças tinham nove anos e já eram adolescentes quando deixavam de se reunir. A cada semana, uma das gerações escolhia o livro a ser lido. Registrou-se, ao longo dos anos, uma mudança na qualidade dos critérios de escolha dos livros tanto por parte dos filhos como das mães.

E no sul do Chile, após um terremoto em uma pequena comunidade, formou-se um grupo de voluntários que lia todas as semanas para as crianças afetadas. O impacto dessa ação foi grande. Crianças e suas famílias passaram a procurar por livros da biblioteca da escola, que antes não eram lidos e tampouco divulgados pelas professoras.

A semelhança entre essas ações está na existência de mediadores adultos que leem para as crianças e na criação de bibliotecas que servem à formação de leitores.

Mas como tornar essa meta viável em um país do porte do Brasil? Sabe-se que muitas crianças não têm acesso à leitura, seja pela falta de livros ou instrução dos pais, seja pela desatenção à prática da leitura na sala de aula --mais comum nas escolas do que se imagina.

Desde 1997, a distribuição de acervos às escolas, alunos e professores pelo PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) vem cumprindo de forma tímida sua função de promover a inserção dos alunos na cultura letrada. A implantação do PNLL (Plano Nacional de Livro e Leitura), em 2006, reavivou o debate.

Criaram-se espaços de práticas de transmissão de narrativas e programas de formação de professores mediadores. Porém, ainda faltam projetos de formação leitora nas escolas e creches. Também se deve pensar num sistema de bibliotecas públicas comunitárias com funcionários qualificados.

Nesta semana, acontece em São Paulo a terceira e última etapa do seminário internacional Conversas ao Pé da Página de 2013.

A segunda etapa encerrou-se em agosto com uma concordância entre autores, editores e acadêmicos de destaque nacional e internacional: para se formar cidadãos democráticos, é imprescindível o contato com a leitura e a literatura. Apenas assim teremos adultos capazes de ler, compreender e formar opinião sobre todo tipo de questão e, com base nela, escolher seus representantes.

Representantes do Ministério da Cultura presentes no seminário enfatizaram que as iniciativas em municípios do Brasil devem ser aglutinadas nacionalmente. Eles defendem a formação de uma rede de projetos sociais de leitura, de autogestão e troca.

Até o final de 2014, pretende-se enviar um projeto de lei para a institucionalização do PNLL, tornando-o uma determinação política, ampliando radicalmente os investimentos públicos em leitura e, ao mesmo tempo, dando uma solução superior e qualificada à contribuição da iniciativa privada no Fundo Pró-Leitura.

Enquanto isso, resta-nos acompanhar de perto esse trabalho e nos inspirarmos em experiências únicas e criativas.

* Mônica Gouvêa, socióloga e psicóloga, trabalha com formação de gestores e professores das redes pública e privada de São Paulo


MINEIROS ILUSTRES: ALAÍDE LISBOA.

Alaíde Lisboa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Alaíde Lisboa de Oliveira (Lambari22 de abril de 1904 — Belo Horizonte4 de novembro de 2006) foi uma
Sua estréia na literatura infantil ocorre em 1938, quando publicou os clássicos A bonequinha preta e O bonequinho
doce. O primeiro, após sucessivas reedições, já ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos. 
Seu primeiro livro didático foi publicado no ano seguinte, A poesia no curso primário.
Em 1949 assumiu o cargo de vereadora na Câmara Municipal de Belo Horizonte, tornando-se a primeira mulher da 
história a exercer esse cargo em Minas Gerais.
A partir de 1948 intensificou sua carreira de jornalista. Em 1951 iniciou sua carreira acadêmica na Universidade 
Federal de Minas Gerais (UFMG), onde lecionou Didática e coordenou cursos de pós-graduação em Pedagogia.
Foi membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, da Academia Feminina Mineira de Letras e, em
1995, foi eleita para a Academia Mineira de Letras. Publicou cerca de 30 livros, incluindo literários, didáticos e 
ensaios de Pedagogia. Por sua atuação pública e produção literária e acadêmica, recebeu inúmeras condecorações.

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