sexta-feira, 31 de março de 2017

A OBRA DE ANDRÉ LUIZ E A FÍSICA QUÂNTICA.

A Obra de André Luiz e a Física Quântica.

A Obra de André Luiz e a Física Quântica

Sociedade Espírita Nova Era - Blumenau - Santa Catarina - SC

A obra de André Luiz, através de Chico Xavier, em complemento à Codificação Kardeciana, em vários aspectos, gradativamente, vem mostrando quanto se antecipa às modernas conquistas da Ciência, mormente no campo da Física Quântica.

A partir de “Nosso Lar”, em 1943, a nossa concepção de Mundo Espiritual se amplia, consideravelmente, com a revelação da existência de diversas “Esferas Espirituais” que o constituem. Há, inclusive, um estudo muito interessante a respeito, num dos livros editados pela FEB, intitulado “As Sete Esferas da Terra”, de Mário Frigéri, todo ele calcado em André Luiz. Aliás, a referida publicação, em grande parte, se baseia ainda em “Cidade no Além”, publicado pelo IDE, de Araras, através dos médiuns Chico Xavier e Heigorina Cunha, pelos espíritos André Luiz e Lucius, este último, segundo informação de Chico Xavier, pseudônimo de Camille Flammarion.

O que Allan Kardec, genericamente, denomina de Mundo Espiritual, e André Luiz de “Esferas Espirituais”, a Física Quântica vem chamando de “Hiperespaço”. Em “Os Mensageiros”, cap. 15, encontramos na palavra de Aniceto:
“Há, porém, André, outros mundos sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas esferas que se interpenetram. O olho humano sofre variadas limitações e todas as lentes físicas reunidas não conseguiriam surpreender o campo da alma, que exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptível. A eletricidade e o magnetismo são duas correntes poderosas que começam a descortinar aos nossos irmãos encarnados alguma coisa dos infinitos potenciais do Invisível, mas ainda é cedo para cogitarmos do êxito completo.” 

Nas considerações constantes do livro “Cidade no Além”, no cap. IV, “Localização de ‘Nosso Lar’ – Esferas Espirituais”, nos deparamos com preciosa elucidação:
“O TRÂNSITO ENTRE AS ESFERAS SE FAZ POR MANEIRAS DIVERSAS. POR ‘ESTRADAS DE LUZ’, REFERIDAS PELOS ESPÍRITOS COMO CAMINHOS ESPECIAIS, DESTINADOS A TRANSPORTE MAIS IMPORTANTE. ATRAVÉS DOS CHAMADOS ‘CAMPOS DE SAÍDA’ QUE SÃO PONTOS NOS QUAIS AS DUAS ESFERAS PRÓXIMAS SE TOCAM. PELAS ÁGUAS, DE SE SUPOR AS QUE CIRCUNDAM OS CONTINENTES” (OCEANOS). 
Vejamos agora o que transcrevemos da obra intitulada “Hiperespaço”, de Michio Kaku, professor de Física Teórica no City College da Universidade de Nova York. Graduou-se em Harvard e recebeu o título de doutor em Berkeley: “NOSSO UNIVERSO, PORTANTO, NÃO ESTARIA SOZINHO, MAS SERIA UM DE MUITOS MUNDOS PARALELOS POSSÍVEIS. SERES INTELIGENTES PODERIAM HABITAR ALGUNS DESSES PLANETAS, IGNORANDO POR COMPLETO A EXISTÊNCIA DE OUTROS.” “(...) NORMALMENTE, A VIDA EM CADA UM DESSES PLANOS PARALELOS PROSSEGUE INDEPENDENTEMENTE DO QUE SE PASSA NOS OUTROS. EM RARAS OCASIÕES, NO ENTANTO, OS PLANOS PODEM SE CRUZAR E, POR UM BREVE MOMENTO, RASGAR O PRÓPRIO TECIDO DO ESPAÇO, O QUE ABRE UM BURACO – OU PASSAGEM – ENTRE ESSES DOIS UNIVERSOS. (...) ESSAS PASSAGENS TORNAM POSSÍVEL A VIAGEM ENTRE ESSES MUNDOS, COMO UMA PONTE CÓSMICA QUE LIGASSE DOIS UNIVERSOS DIFERENTES OU DOIS PONTOS DO MESMO UNIVERSO”. 

No livro “Voltei”, de Irmão Jacob, igualmente psicografado por Chico Xavier (obra de leitura obrigatória para os espíritas!), no capítulo “Incidente em Viagem”, há interessante narrativa que Mário Frigéri sintetiza em “As Sete Esferas da Terra”:
“Havia uma ponte luminosa assinalando a passagem das regiões de treva para as de luz. Um desencarnado do grupo que volitava sob a supervisão e sustentação fluídica de Bezerra de Menezes e do Irmão Andrade, se desequilibrou ante a visão magnífica da nova região e, recordando seus antigos deslizes na carne, passou a gritar:
- Não! não! não posso! eu matei na Terra! Não mereço a luz divina! sou um assassino, um assassino!
Quando seus brados ressoaram lúgubres pelas quebradas sombrias abaixo, outras vozes, parecendo provir de maltas de feras ao pé da ponte, esbravejaram, horríveis:
- Vigiemos a ponte! Assassinos não passam, não passam!”. 

Corroborando este rápido estudo, atentemos para a palavra lúcida de Emmanuel, em carta dirigida a César Burnier, em 2 de abril de 1938, recentemente inserida na obra “Um Amor – Muitas Vidas”, de Jorge Damas Martins, da Editora “Lachâtre”:
“Não podereis compreender, de pronto, o nosso esforço. Tendes de reconhecer, primeiramente, que o Além não é uma região, e sim um estado imperceptível para a vossa potencialidade sensorial. E entendereis que igualmente nós somos ainda relativos, sem nenhum característico absoluto, irmãos de vossa posição espiritual, em caminho para as outras realizações e conquistas, como vós outros”. (grifamos) 

Em suma, a vasta obra que Emmanuel e André Luiz realizaram através de Chico Xavier, em complemento ao Pentateuco, estão a requisitar de nós, espíritas, uma releitura, à luz das modernas conquistas da Ciência, para que possamos mais bem assimilar as inúmeras informações que contêm, muitas vezes em textos que necessitam ser cotejados entre si, à espera de que disponhamos de maturidade espiritual a fim de compreendê-los em sua profundidade reveladora.

Porque permanecem na superfície da palavra, sem visão mais ampla desta ou daquela abordagem, muitos não conseguem atinar com o caráter progressivo da Doutrina, opondo-se, de maneira sistemática, ao que, por outros autores, encarnados ou desencarnados, lhes soa como novidade ou mesmo contrário aos princípios básicos da Terceira Revelação.

Artigo extraído do site: 
http://www.baccelli.com.br/artigos.htm

Apenas acrescento e, fazendo referência ao texto acima o que refere a obra de Léon Denis “O GÊNIO CÉLTICO E O MUNDO INVISÍVEL”pág. 154.

“... O homem moderno evoluído retirará as suas conclusões partindo da ação das forças superiores e tornar-se-á comparável à antena das vossas telegrafias sem fios. Não está longe o dia em que ficareis convencidos de que o infinito é o próprio Deus e de que A VIDA UNIVERSAL CIRCULA POR TODA A PARTE, SENDO OS ESPAÇOS UNICAMENTE CAMPOS VIBRATÓRIOS RADIANTES.”
Link:
A Obra de André Luiz e a Física Quântica - Sociedade Espírita Nova ... 2012-06-14 14:26:17
Foto: http://capadospobres.com.br/site/?page_id=670

DO ÁTOMO AO ARCANJO.

DO ÁTOMO AO ARCANJO

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DO ÁTOMO AO ARCANJO
Do átomo primitivo ao arcanjo
A evolução das espécies, negada e combatida pelas religiões tradicionais, devido à má interpretação do Génesis, de Moisés, tem na Doutrina Espírita uma aliada, porquanto o Espiritismo a compreende e a propaga. No entanto, ele não está de maneira nenhuma de mãos dadas com a Biologia dos materialistas. Esta diz que no mecanismo evolutivo não há participação do fator espiritual, tudo sendo presidido pelo acaso.
A Embriologia mostra-nos uma prova segura da evolução do homem. Durante a formação do organismo físico no cadinho materno, o Espírito recorda as experiências que passou na filogênese: de início, o ovo correspondendo a uma ameba; depois as fases embriológicas comuns aos répteis e às aves. É a ontogenêse repetindo a filogênese.
O Espiritismo nos ensina que a evolução se processa nos dois planos da Criação: o espiritual e o físico, havendo sempre interdependência de ambos.
Há na evolução a presença de um fator espiritual dinâmico e atuante, responsável pelas expressões morfogenéticas do seres e que orienta também os átomos dos minerais, dos vegetais e de todos os animais. Diz um poeta do Espiritismo: "A alma dorme na pedra. Sonha na planta. Espreguiça-se no animal. Acorda no homem". Portanto, o princípio inteligente, potente chama divina, evolui em todos os reinos da Criação, em constantes experiências e embates milenários.
A respeito da evolução em toda a Criação nos diz a Espiritualidade: "... tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que começou também por ser átomo." ("O Livro dos Espíritos", questão 540)
No mineral, o princípio evolutivo é responsável pelo comando de forças de atração e coesão; no vegetal, possibilita a sensibilidade, já do conhecimento da Ciência; no animal, gera os instintos e começa a exercitar sua individualização, iniciando seu desligamento gradativo da alma-grupal. Na alma-grupal, o animal executa os atos instintivos da espécie, sem possibilidade de análise. Temos o exemplo das formigas e abelhas, que desenvolvem um trabalho complexo e maravilhoso. Chegado à esfera humana, o princípio inteligente guarda, ainda, resquícios do passado distante. Temeroso e, ao mesmo tempo, ansioso por esse passo, em direção ao futuro, o homem ainda claudica na sua individualidade, tanto que a solidão é o maior sofrimento que a alma nesse estágio experimenta.
Daí, o homem ser no presente um ser gregário. Essa experiência é muito bem explanada neste trecho, de uma das obras do grande escritor português, Eça de Queiroz: "... E é impossível não sentir uma solidariedade perfeita entre esses imensos mundos e os nossos pobres corpos. Todos somos obra da mesma vontade. Todos vivemos da ação dessa vontade imanente. Todos, portanto,... constituímos modos diversos de um Ser único, e através das suas transformações somamos na mesma unidade. Não há idéia mais consoladora do que esta — que eu, e tu, e aquele monte, e o sol que agora se esconde, somos moléculas do mesmo todo, governadas pela mesma lei, rolando para o mesmo fim. Desde logo se somam as responsabilidades torturantes do individualis¬mo. Que somos nós? Formas sem força, que uma força impele. E há um descanso delicioso nesta certeza, mesmo fugitiva, de que se é o grão de pó irresponsável e passivo que vai levado no grande vento, ou a gota perdida na torrente!" ("A Civilização") Conforme o homem vai subindo na escala evolutiva, vai aprofundando-se à procura da essência divina (Cristo Interno) que lhe dá a vida, tornando-se feliz, conquistando a paz, "a que o mundo não pode dar" (João 14:27). Goza da paz por excelência, que provém do âmago do Ser. A mesma vivida por Francisco de Assis, inteiramente harmonizado com as coisas da Natureza, que tanto amou.
Hoje, a não ser a oposição de grupos religiosos ortodoxos, todos aceitam a evolução e não combatem a crença de que o homem provém fisicamente do animal antropóide.
Em relação ao ponto de vista espiritual, Paulo nos diz que o espírito reencarnado (Adão) é alma vivente. Depois da evolução processada, transformar-se-á no último Adão, espírito já evoluído, portanto, espírito vivificante (1 Co. 15:45), não necessitando mais de reencarnação na Terra. E continua Paulo: "O primeiro homem, formado na Terra, é terreno; o segundo homem é do céu" (1 Co. 15:47).
Paulo, na mesma Epístola, afirma: "Porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade" (1 Co. 15:53). É a evolução que se processa na Carne através da reencarnação, espelhando a bondade e a justiça de Deus.
Jesus encerrou seu diálogo com Nicodemos, dizendo: "Ora, ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, a saber, o Filho do homem. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê, tenha a vida futura" (João 3:13-15).
Diz o querido e saudoso Pastorino: "Os 'apocalipses' ou 'revelações' dos judeus narram histórias de santos varões que haviam subido a mundos 'mentais' conscientemente: esses homens eram denominados 'serpentes'. Nesse sentido é que Moisés 'elevou a serpente' no deserto. De fato, a serpente simboliza a inteligência racional ou intelecto (veja episódio de Adão, quando conquistou o intelecto por meio da serpente), mas quando a serpente é 'elevada' verticalmente, significa a mente espiritual. Sua elevação se dá na 'cruz da matéria' (horizontal sobre vertical) e só depois de elevada na cruz, pode essa serpente conquistar o Reino dos Céus. Todos os que acreditaram nele (que cumprirem seus ensinos) conseguirão a 'vida futura', isto é, a vida espiritual superior.
"Se conseguirmos vencer tudo aquilo que nos oprime, nos castiga e nos escraviza, na vida física, estaremos aptos a viver não mais no reino humano, e sim, no reino celestial. Também para consegui-lo, é preciso ter sido 'suspenso', como a serpente de Moisés; é indispensável passar por todas as crucificações da Terra, por todas as iniciações duras e difíceis, dando testemunho da fé em Cristo, ao VIVER seus ensinamentos". ("Sabedoria do Evangelho") (O grifo é do autor).
Que possamos, realmente, enfrentar o mundo fora e dentro de nós, tendo o Cristo ao nosso lado, vivenciando todos os Seus ensinamentos, e exortando-nos ao crescimento espiritual nos embates dolorosos da evolução do espírito. E que não nos maravilhemos apenas com as coisas espirituais; é necessário muito esforço e, também, renúncia para chegarmos até o cume da elevação espiritual, ao lado do Cristo, quando ouviremos em nosso íntimo as palavras do Pai: "...Este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado..." (Lucas 15:24).
Américo Domingos Nunes Filho
Comunidade Espírita

QUANTO TEMPO DEMORA PARA O ESPÍRITO DE DESLIGAR DO CORPO NA MORTE?

Quanto TEMPO DEMORA para o ESPÍRITO se DESLIGAR do CORPO na MORTE ?

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Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.

Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física.

Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo. No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais. O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.

Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:

"Que morte maravilhosa! Não sofreu nada!"

No entanto, é uma morte indesejável.

Falecendo em plena vitalidade, salvo se altamente espiritualizado, ele terá problemas de desligamento e adaptação, pois serão muito fortes nele as impressões e interesses relacionados com a existência física.

Se a causa da morte é o câncer, após prolongados sofrimentos, em dores atrozes, com o paciente definhando lentamente, decompondo-se em vida, fala-se:

"Que morte horrível! Quanto sofrimento!"

Paradoxalmente, é uma boa morte.

Doença prolongada é tratamento de beleza para o Espírito. As dores físicas atuam como inestimável recurso terapêutico, ajudando-o a superar as ilusões do Mundo, além de depurá-lo como válvulas de escoamento das impurezas morais. Destaque-se que o progressivo agravamento de sua condição torna o doente mais receptivo aos apelos da religião, aos benefícios da prece, às meditações sobre o destino humano. Por isso, quando a morte chega, ele está preparado e até a espera, sem apegos, sem temores.

Algo semelhante ocorre com as pessoas que desencarnam em idade avançada, cumpridos os prazos concedidos pela Providência Divina, e que mantiveram um comportamento disciplinado e virtuoso. Nelas a vida física extingue-se mansamente, como uma vela que bruxuleia e apaga, inteiramente gasta, proporcionando-lhes um retomo tranquilo, sem maiores percalços.

Do nosso irmão Richard Simonetti, do livro Quem Tem Medo da Morte 

O QUE É O BUDISMO?

TIRANDO DÚVIDAS. O QUE É O BUDISMO?

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O que é o Budismo? 
1. O que é o Budismo?
A palavra Budismo é derivada da palavra ‘bodhi’ que significa ‘despertar’, portanto o Budismo é a filosofia do despertar ou iluminação. Essa filosofia teve origem na experiência de um homem chamado Siddhata Gotama, conhecido como o Buda, que realizou a iluminação por si próprio com 36 anos de idade. O Budismo existe faz 2.500 anos e tem cerca de 300 milhões de adeptos no mundo todo. Até meados do séc. XIX o Budismo era um filosofia com predominância na Ásia mas desde então se expandiu para todo o mundo.
2. Então o Budismo é apenas uma filosofia?
A palavra filosofia provém de duas palavras, ‘filo’ que significa ‘amor’ e ‘sofia’ que significa ‘sabedoria’. Então filosofia é o amor pela sabedoria ou amor e sabedoria, ambos significados descrevem o Budismo com perfeição. O Budismo ensina que devemos tentar desenvolver todo o potencial da nossa capacidade mental de modo que possamos alcançar o claro entendimento da realidade. O Budismo também prega o desenvolvimento do amor e bondade de modo que possamos expressar verdadeira amizade por todos os seres.
3. Quem foi o Buda?
No ano 560 antes de Cristo um bebê nasceu numa família real no norte da Índia. Ele cresceu rodeado pela riqueza e pelo luxo mas acabou se dando conta de que o conforto e a segurança mundanas não asseguram a felicidade. Profundamente comovido pelo sofrimento que viu ao seu redor, ele decidiu tentar encontrar o caminho para a felicidade humana. Com 29 anos de idade ele abandonou a vida de príncipe e saiu em busca da solução para os problemas humanos. Ele estudou e praticou com mestres distintos mas nenhum deles na verdade sabia a causa do sofrimento humano e como superá-lo. Por fim, depois de seis anos de estudos e experimentos com todos os tipos de práticas ascéticas e meditativas, ele realizou o fim da ignorância e compreendeu a origem e a cessação do sofrimento. A partir dessa data ele passou a ser o Buda, o Iluminado. Ele viveu por mais 45 anos durante os quais viajou pelo norte da Índia e ensinou a todos que quisessem ouvir aquilo que ele havia descoberto. A sua paciência e compaixão eram legendárias e milhares de pessoas se tornaram seus discípulos. Com oitenta anos ele faleceu.
4. Não foi um ato irresponsável do Buda abandonar a família?
Não deve ter sido uma decisão fácil para Siddhata Gotama abandonar a família em busca de algo completamente desconhecido. Durante muito tempo ele deve ter sofrido com a angústia e hesitação. Ele tinha duas alternativas, permanecer com a família ou dedicar-se ao mundo. No final a sua grande compaixão prevaleceu e fez com que ele se entregasse ao mundo. E desde a sua iluminação até os dias de hoje todo o mundo ainda se beneficia com o seu sacrifício. Essa não foi uma decisão irresponsável mas talvez o supremo sacrifício que alguém pode fazer.
5. O Buda está morto faz muito tempo, como ele pode nos ajudar?
Faraday, descobriu a eletricidade e já morreu faz muito tempo, mas a sua descoberta ainda nos beneficia hoje. Louis Pasteur descobriu a cura para muitas doenças e também já morreu faz muito tempo, mas as suas descobertas médicas ainda salvam vidas. Leonardo da Vinci, que criou obras de arte, também está morto, mas aquilo que ele criou ainda é capaz de causar elação e alegria. Homens nobres e heróis podem ter morrido faz séculos mas ainda podemos obter inspiração ao ler sobre as suas realizações. De fato, o Buda está morto, mas 2.500 anos depois, os seus ensinamentos ainda ajudam as pessoas, o seu exemplo ainda inspira as pessoas, as suas palavras ainda mudam vidas. Apenas um Buda é capaz de ter tal poder séculos depois da sua morte.
6. O Buda era um Deus?
Não, o Buda não era um Deus. Ele nunca fez esse tipo de afirmação, nem de que ele era o filho de algum Deus ou mesmo o mensageiro de algum Deus. Ele era um ser humano comum que aperfeiçoou a si mesmo e ensinou que se seguirmos o seu exemplo também poderemos nos aperfeiçoar.
7. Se o Buda não é um Deus, então porque as pessoas o veneram?
Há diferentes tipos de veneração. Quando as pessoas veneram um Deus, elas o honram e glorificam, fazem oferendas e pedem favores, acreditando que o Deus irá ouvir os seus louvores, receber as oferendas e atender as orações.
O outro tipo de veneração é quando demonstramos respeito por alguém ou alguma coisa que admiramos. Quando um professor entra na sala de aula ficamos em pé, quando somos apresentados a algum dignitário o cumprimentamos, quando ouvimos o hino nacional assumimos um postura respeitosa. Esses são todos gestos de respeito e veneração e indicam a nossa admiração por pessoas ou coisas. Esse é o tipo de veneração praticado pelos Budistas. Uma estátua do Buda com as mãos gentilmente repousadas sobre o colo e com um sorriso compassivo nos lábios nos recorda do esforço para desenvolver a paz e o amor dentro de nós mesmos. O perfume do incenso nos recorda da penetrante influência da virtude, as velas nos recordam da luz do conhecimento e as flores que, em breve irão murchar e morrer, nos recordam da impermanência. Quando nos curvamos expressamos nossa gratidão ao Buda por tudo aquilo que nos foi proporcionado pelos seus ensinamentos. Essa é a natureza da veneração Budista.
8. Mas eu ouvi as pessoas dizerem que os Budistas veneram ídolos.
Esse tipo de afirmação é um mal-entendido. A definição do dicionário para a palavra ídolo é “estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa”. Como vimos, os Budistas não acreditam que o Buda era um Deus, então como poderiam acreditar que um pedaço de madeira ou pedra possa ser um Deus? Todas as religiões empregam símbolos para expressar vários conceitos. No Taoísmo, o ying-yang é usado para simbolizar a harmonia entre os opostos. No Sikhismo, a espada é usada para simbolizar a busca espiritual. No Cristianismo, o peixe é usado para simbolizar a presença de Cristo e a cruz é usada para simbolizar o seu sacrifício. No Budismo, a estátua do Buda é usada para simbolizar a perfeição humana. A estátua do Buda também serve para nos recordar da dimensão humana dos ensinamentos do Buda, e que precisamos olhar para o nosso íntimo e não para o exterior para encontrarmos a perfeição e a sabedoria. Dizer que os Budistas veneram ídolos é incorreto.
9. Porque as pessoas fazem todo o tipo de coisas estranhas nos templos Budistas?
Muitas coisas podem parecer estranhas quando não as compreendemos. Ao invés de descartar essas coisas como esquisitas, deveríamos tentar entender o seu significado. No entanto, é verdade que algumas das práticas Budistas têm as suas origens nas superstições e mal-entendidos populares ao invés dos ensinamentos do Buda. E esse tipo de mal-entendido não é encontrado apenas no Budismo, mas aparece em todas as religiões de tempos em tempos. O Buda ensinou de forma clara e detalhada e se alguém é incapaz de compreender aquilo que foi ensinado, o Buda não pode ser censurado por isso. Há um dito:
Se alguém enfermo não busca tratamento mesmo na presença de um médico, isso não é culpa do médico.
Da mesma forma, se alguém está oprimido e atormentado pela enfermidade das contaminações mentais, mas não busca a ajuda do Buda, isso não é culpa do Buda.
Tampouco deve o Budismo, ou qualquer religião, ser julgado por aqueles que não o praticam da forma apropriada. Se alguém quiser conhecer os verdadeiros ensinamentos Budistas, deve ler as palavras do Buda ou buscar os ensinamentos através daqueles que os entendem da forma correta.
10. Porque há tantos tipos distintos de Budismo?
Há muitos diferentes tipos de açúcar: mascavo, branco, granulado, em pedra, xarope e cristalizado, mas todos são açúcar e todos têm o mesmo sabor doce. Diferentes formas são produzidas para atender as diferentes necessidades de uso. Com o Budismo ocorre o mesmo. Há o Theravada, Zen, Terra Pura e Vajrayana, mas todos são Budismo e todos têm o mesmo sabor – o sabor da liberdade. O Budismo evoluiu para formatos distintos para ser relevante para as distintas culturas nas quais ele se estabeleceu. O Budismo foi re-interpretado ao longo dos séculos para continuar relevante para as novas gerações. Externamente, os distintos tipos de Budismo podem parecer muito diferentes, mas no núcleo de cada um encontram-se as quatro nobres verdades e o caminho óctuplo.
11. O Budismo tem base na ciência?
Antes de responder a essa questão seria melhor primeiro definir a palavra “ciência”. De acordo com o dicionário, ciência é o “conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e possibilitam orientar a natureza e as atividades humanas.”
Há alguns ensinamentos Budistas que não se encaixam nessa definição mas um dos ensinamentos mais importantes no Budismo, as quatro nobres verdades, com certeza se encaixa. O sofrimento, que é a primeira nobre verdade, é uma experiência universal e objetiva que pode ser definida, experimentada e medida. A segunda nobre verdade afirma que o sofrimento tem uma causa natural, que é o desejo pelo prazer dos sentidos, que de modo semelhante é uma experiência universal e objetiva que pode ser definida, experimentada e medida. O Budismo não tenta explicar o sofrimento com conceitos ou mitos metafísicos. O sofrimento tem fim de acordo com a terceira nobre verdade e não com a ajuda de um ser supremo, através da fé ou de orações, mas simplesmente removendo a sua causa: isso é axiomático. A quarta nobre verdade, o caminho para o fim do sofrimento, uma vez mais, não tem nada que ver com a metafísica mas depende da adoção de certos tipos de comportamento. E uma vez mais, o comportamento é algo que está sujeito a ser testado. O Budismo, tal qual a ciência, prescinde da idéia de um ser supremo e explica as origens e movimentos do universo com base em leis da natureza. Tudo isso com certeza exibe um espírito científico. Por outro lado, o conselho do Buda de que não devemos aceitar as coisas cegamente, mas ao invés disso, questionar, examinar e investigar tomando por base a nossa própria experiência pessoal, tem também uma forte conotação científica. O Buda disse:
“Agora Kalamas, não se deixem levar por relatos, por lendas, pelas tradições, pelas escrituras, pela conjectura lógica, pela inferência, por analogia, pela concordância obtida através de ponderações, por probabilidades ou pelo pensamento, ‘Este contemplativo é o nosso mestre.’Quando vocês sabem por vocês mesmos que, ‘Essas qualidades são hábeis; essas qualidades são isentas de culpa; essas qualidades são elogiadas pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao bem-estar e à felicidade” - então vocês devem penetrar e permanecer nelas.” (AN III.65)
Podemos então dizer que embora o Budismo não seja completamente científico, com certeza ele tem uma forte conotação científica e certamente é a mais científica das religiões. É significativo que Albert Einstein, um dos maiores cientistas do século XX, tenha dito sobre o Budismo:
“A religião do futuro será uma religião cósmica. Deve transcender um Deus pessoal e evitar os dogmas e as teologias. Abrangendo ambos, o natural e o espiritual, ela deve estar baseada num senso religioso que surja da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, e uma unidade que tenha significância. O Budismo preenche essa descrição. Se houver alguma religião que esteja à altura das necessidades científicas modernas, essa religião é o Budismo.”
Nota: Estas perguntas e respostas foram traduzidas do livro “Good Question, Good Answer” escrito pelo Ven. Shravasti Dhammika.
Sociedade Budista do Brasil - Acesso ao Insight

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