VITAL
BRAZIL MINEIRO DA CAMPANHA
Campanhense,
nascido a 28/04/1865, sendo filho de José Manoel dos Santos Pereira Júnior e
Mariana Carolina dos Santos Pereira. Vital foi casado duas vezes a primeira com
Maria da Conceição Philipina de Magalhães e em segundas núpcias com Dinah
Carneiro Viana. Do primeiro casamento nasceram os filhos: Mário (natimorto),
Vitalina, Alvarina, Mário, Olga (falecida com 6 meses), Vital (falecido com 7
meses), Vital Filho, Ary (falecido com 18 anos), Álvaro, Lygia, Rui e Oswaldo.
Os filhos do 2º casamento foram: Acácia, Ísis, Eliah, Enos, Horus, Ícaro,
Eglon, Lael e Osíris.
O avô de Vital Brazil era de uma família proprietária de
terras e escravos em Itajubá. Para não dividir os bens, as famílias ricas, no
século XIX, casavam-se entre si. O avô de Vital Brazil não seguiu esta regra.
Preferiu viver sem se casar, por mais de trinta anos com Maria Joaquina do
Nascimento, de família de comerciantes, tendo com elas três filhos naturais.
Por essa razão o pai de Vital Brazil se sentiu marginalizado por questões
materiais. Resolveu então colocar sobrenomes diferentes do seu, inventando-os
por ocasião do nascimento de cada um. O primeiro deles nasceu a 28 de abril de
1865, dia de São Vital, na cidade da Campanha, no estado de Minas Gerais.
Batizou-o de Vital Brazil Mineiro da Campanha. O pai de Vital Brazil trabalhou
como caixeiro-viajante. Por essa razão a família residiu em Itajubá, Caldas e
Guaxupé. Em todos esses momentos, o avô de Vital Brazil deu apoio financeiro ao
filho. Em 1880 os pais de Vital Brazil mudaram-se com seus filhos para um
colégio protestante em São Paulo, onde foram trabalhar. O desejo de Vital
Brazil para cursar medicina foi sendo adiado por falta de recursos financeiros
para custear seus estudos. Seu pai usando de seu prestígio conseguiu um emprego
para Vital Brazil no Rio de Janeiro, onde localizava-se a Faculdade de
Medicina.
Depois de várias tentativas suas o Ministro da Justiça, político da região de
Itajubá, ofereceu-lhe um emprego de escrevente na Secretaria de Polícia. Com
esse emprego e mais as aulas ministradas no Liceu de Artes e Ofícios, permitiram
a continuação de seus estudos. Em janeiro de 1892, concluiu o curso de
Medicina, sustentando a tese intitulada “As funções do Baço”. Assim que se
formou casou-se com Maria da Conceição Filipina de Magalhães e foi contratado
pelo Serviço Sanitário de São Paulo. Em 1895 optou pela prática clínica,
mudou-se para Botucatu, onde atendeu várias pessoas picadas por cobras. No
final do século XIX a produção de café avançava naquela região e muitos
camponeses morriam de picada de cobra. Em 1897 Vital Brazil vem para São Pulo
indo trabalhar no Instituto bacteriológico dirigido por Adolpho Lutz. Naquela época a
peste ameaçava a vida de milhares de pessoas, sobretudo nas regiões portuárias.
O soro demorava muito a chegar no Brasil, pois era produzido na europa. Em 1899
Vitl Brazil passou a chefiar um laboratório do Instituto Bacteriológico,
situado na fazenda Butantã, situado num verdadeiro estábulo onde começou a
prodozir soro anti-pastoso. No dia 24 de fevereiro de 1901 o Presidente
Rodrigues Alves transforma este laboratório no Instituto Butantã que passou a
ser dirigido por Vital Brazil. Logo começou a produção do soro anti-pestoso.
Seu interesse em soros anti-peçonhentos era grande. Na época, predominavam os
estudos do cientista francês Calmett, baseados em cobras Naja, inexistentes
no Brasil. Constatou Vital Brazil que o
soro dessa cobra não surtia efeito em animais contaminados com o veneno da
jararaca e da cascavel. Assim, ele concluiu que o soro anti-peçonhento deveria
corresponder a um tipo de cobra específica. Cabia então produzir este soro e,
em seguida, convencer a comunidade científica de sua descoberta. Em 1901 produz
as primeiras ampolas e começa a publicar suas descobertas em revistas
científicas. Dois nos depois apresenta seu trabalho em um congresso médico
realizado no Rio de Janeiro. Feita a descbberta e produzido o soro cabia
convencer a sociedade da eficácia do soro anti-peçonhento. A estratégia foi a
de estimular os fazendeiros a trocar cobras vivas por soro. Vital Brazil
publicou cerca de oitenta artigos em revistas científicas e o livro: Defesa
Contra o Ofidísmo. Ele viveu 20 anos no Butantã onde nasceram e cresceram seus
filhos do primeiro matrimônio. Em 1913 faleceram sua mãe e sua esposa. Em 1915
o Ex-Presidente Norte Americano Theodore Roosevelt visitou o Instituto Butantã. No mesmo ano Vital Brazil
foi convidado a apresentar suas recentes descobertas em um congresso científico
em Washington. Na volta, em Nova York, foi informado que o tratador de cobras
do Jardim Zoológico local havia sido picado por uma cobra. No hospital em eu
foi internado começaram a aplicar o tratamento que se usava na época. O homem
piorava a cada hora. A direção do hospital soube da apresentação de Vital
Brazil no evento científico e solicitou que o seu soro fosse injetado no
paciente, então moribundo. Algumas horas depois o quadro começou a regredir. O
paciente sobreviveu. O jornal “The New York Times” descreveu o acidente e a
cura com o soro produzido pelo médico brasileiro. Assim as descobertas de Vital
Brazil começavam a ter reconhecimento internacional. Em 1919 era enorme a
projeção do Instituto Butantã e de seu diretor, transcendendo as fronteiras
nacionais e científicas. Nesse mesmo ano Artur Neiva assumiu a direção do
Serviço Sanitário de São Paulo começando a intervir no Butantã. Vital Brazil
não aceitou essas interferências, pedindo seu afastamento da instituição. Na
ocasião recusou convite para trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz. Entre seus
assistentes constava Otávio Veiga que era irmão do Presidente do Rio de Janeiro
(Raul Veiga). Com isso o governo daquele Estado doou uma área em Niterói e uma
verba para a construção do novo Instituto que se chamou “Instituto Vital
Brazil”. Portanto, em 1919 começou o grande cientista, a reconstruir sua vida.
Outra cidade, outra instituição e constituindo nova família. Com 55 anos de
vida e nove filhos, casou-se em 1920 com Dinah Carneiro Viana, 30 anos mais
nova eu ele e com quem teve nove filhos. O instituto por ele idealizado
tornou-se uma importante empresa privada de pesquisa e produção, fabricando
produtos veterinários, biológicos (soros e vacinas) e farmacêuticos). O
Instituto oferecia, também, bolsas de pesquisa para estudantes, editava duas
revistas científicas e tinha uma biblioteca especializada. Em 1923 o Instituto
Vital Brazil passou a funcionar em prédios adaptados no terreno doado pelo
Governo do Estado do Rio de Janeiro. Em 1937 o grande cientista encomenda a seu
filho Álvaro o projeto de arquitetura da atual sede da instituição. Conseguiu
financiamento junto ao Banco do Brasil para construção do prédio e, em 11 de
setembro de 1943 inaugura sua sede definitiva. Dificuldades financeiras,
acrescidas com o fim da 2ª Guerra mundial, fez com que o Instituto Vital Brazil
passasse por sérios problemas. Em 09/05/1950 morre o grande cientista deixando
em mãos de seus sucessores principalmente da viúva dona Dinah a
responsabilidade de encontrar meios de salvar o grande instituto da série de
problemas financeiros. Depois de diversos transtornos a saída foi repassar
parte da instituição para o governo do Rio de Janeiro. Para melhor
esclarecimento a respeito do Cientista Vital Brazil, fineza recorrer a
esplêndida biografia preparada por seu filho Lael Brazil e que se encontra no
Centro de Estudos Monsenhor Lefort. Vital Brazil, personalidade que todo
campanhense se orgulha de ter como conterrâneo é nome de uma das principais
ruas de sua cidade natal, assim como de uma rodovia que corta a cidade e em sua
praça principal se encontra uma estátua a perpetuar sua vida, seu trabalho e sua
enorme contribuição ao mundo científico, além de um museu que guarda parte de
sua história.