sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O ESPIRITISMO PODE CONTRIBUIR PARA O TRATAMENTO DAS DOENÇAS?

1 - O Espiritismo pode contribuir para o tratamento das doenças?

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Emmanuel - A doutrina Espírita, expressando o Cristianismo Redivivo, não apenas descortina os panoramas radiantes da imortalidade, ante o grande futuro, mas é igualmente luz para o homem, a clarear-lhe o caminho; desse modo, desempenha função específica no tratamento das doenças que fustigam a Humanidade, por ensinar a medicina da alma, em bases no amor construtivo e reedificante.
Nas trilhas da experiência terrestre, realmente, a cada trecho, surpreendemos desequilíbrios, a se exprimirem por enfermidades individuais ou coletivas.

2 - Existe uma patologia da alma?

Emmanuel - Mágoas, ressentimentos, desesperos, atritos e irritações entretecem crises do pensamento, estabelecendo lesões mentais que culminam em processos patológicos, no corpo e na alma, quando não se convertem, de pronto, em pábulo da loucura ou em sombra da morte.

3 - Por que acontece assim?

Emmanuel - Isso acontece porque milhões de criaturas, repostas no lar, recapitulam amargosas e graves experiências, junto àqueles que atormentaram outrora ou que outrora lhes foram implacáveis verdugos; metamorfoseados em companheiros que, às vezes, trazem o nome de pais e figuram-se adversários intransigentes; responderam por filhos e mais se assemelham a duros algozes dos corações afetuosos que lhes deram o tesouro do berço; carregam a certidão de esposos e parecem forçados, em algemas duplas na pedreira do sofrimento; fazem-se conhecidos por titulares da parentela e exibem-se, à feição de carrascos tranquilos.

4 - Como classificar o reduto doméstico, onde se reúnem sob os mesmos interesses e sob o mesmo sangue os inimigos de existências passadas?

Emmanuel - Do ponto de vista mental, os adversários do pretérito, reencarnados no presente, expandem entre si tamanha carga vibratória de crueldade e rebeldia, que transfiguram o ninho familiar em furna, minado por miríades de raios destrutivos de azedume e aversão.

5 - Qual o papel dos princípios espíritas diante dos conflitos familiares?
Emmanuel - Diante dos conflitos familiares, surgem os princípios espíritas por medicação providencial.

6 - Qual o ponto fundamental do socorro espírita nos males de origem doméstica?
Emmanuel - Claramente, na educação individual e, evidenciando a reencarnação, destaca o impositivo da tolerância mútua, por terapêutica espiritual imediata, a fim de que os pontos nevrálgicos do indivíduo ou do grupo sejam definitivamente sanados.

7 - Como classificam a Doutrina Espírita as pessoas difíceis da convivência ou da consanguinidade?
Emmanuel - A Doutrina Espírita, proclamando o entendimento fraterno por medida inalienável, perante os ajustes precisos, cataloga os irmãos transviados na ficha dos enfermos carecentes de compaixão e socorro.

8 - Como funcionam os ensinamentos espíritas na cura dos males que infelicitam as criaturas humanas?

Emmanuel - Os ensinamentos espíritas, despertando a mente para a necessidade do trabalho e do estudo espontâneo, preparam a criatura em qualquer situação, para a obra do aperfeiçoamento próprio e desvelando a continuidade da vida, para lá da morte, patenteiam ao raciocínio de cada um que a individualidade não encontrará, além-túmulo, qualquer prerrogativa e sim a felicidade ou o infortúnio que construiu para si mesma, através daquilo que fez aos semelhantes.

9 - A caridade pode auxiliar nas curas dos males humanos?

Emmanuel - Fácil verificar, assim, que a Doutrina Espírita encerra a filosofia do pensamento reto, por agente preservativo da saúde moral, e consubstancia a religião natural do bem, cujas manifestações definem a caridade por terapêutica de alívio e correção de todos os males que afligem a existência.

10 - Em que fórmulas essenciais se baseiam a terapêutica espírita?

Emmanuel - Com os ensinamentos espíritas aprendemos que os atos de bondade, ainda os mais apagados e pequeninos, são plantações de alegrias eternas e que o perdão incondicional das ofensas é a fórmula santificante para supressão da dor e renovação do destino.

11 - Quais são os medicamentos do espírito?

Emmanuel - Nas atividades espíritas, colhemos do magnetismo sublimados benefícios imediatos, seja no clima do passe, sob o influxo da oração, ou no culto sistemático do Evangelho no Lar, por intermédio dos quais, benfeitores e amigos desencarnados nos reequilibram as forças, através da inspiração elevada, apaziguando-nos os pensamentos, ou se valem de recursos mediúnicos esparsos no ambiente, a fim de nos propiciarem socorro à alma aflita ou às energias exaustas.

Se abraçastes, pois, a Doutrina Espírita, perlustra-lhes os ensinos e compreenderás que a humildade e a benevolência, o serviço e a abnegação, a paciência e a esperança, a solidariedade e o otimismo são medicamentos do Espírito, transformando lutas em lições e dificuldades em bênçãos, porque no fundo de cada esclarecimento e de cada mensagem consoladora, que te fluem da inspiração, ouvirás a palavra do Cristo:

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

EMMANUEL (DO LIVRO “LEIS DO AMOR”, FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER E WALDO VIEIRA

CHRISTINE FONTELLES, DA; "EU QUERO MINHA BIBLIOTECA."

Entrevista: Christine Fontelles da; Eu Quero Minha Biblioteca

Plataforma Pró-Livro 
Christine Fontelles é cientista social pela PUC/SP com MBA em Marketing pela FIA/FEA/USP. Foi co-idealizadora do INSTITUTO ECOFUTURO, idealizadora do PROGRAMA LER É PRECISO, realizado há 15 anos e voltado para criação e qualificação de políticas de inclusão na cultura escrita, e da campanha EU QUERO MINHA BIBLIOTECA pela universalização de bibliotecas públicas no País, a qual coordena.

Autora de diversos artigos publicados sobre os temas educação para a leitura, literatura e biblioteca, é integrante e conselheira do Movimento por um Brasil Literário e do conselho curador da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Em entrevista à Plataforma Pró-Livro, ela fala sobre a importância de saber ler com gosto e competência e sobre a importância das bibliotecas para a sociedade brasileira. Ressalta ainda a importância da informação para que a sociedade civil e os gestores escolares possam lutar pela cultura do livro no Brasil

Plataforma – O que é a Campanha Quero Minha Biblioteca e quais são os principais objetivos dela?

Christine – Eu Quero Minha Biblioteca é uma campanha pela universalização de bibliotecas em escola. Queremos contribuir com a efetividade da Lei 12.244/10, que determina que todas as escolas públicas e privadas do Brasil devem ter sua biblioteca até maio de 2020. Ela foi lançada em 2012 com objetivo de divulgar informações que possam contribuir para políticas públicas de biblioteca. Produzimos cartilhas informativas para a sociedade civil, gestores escolares e gestores públicos. Nesses materiais estão listados, inclusive, quais recursos públicos podem ser pleiteados para bibliotecas. Trabalhamos, então, com divulgações de informações, além de termos uma agenda governamental em Brasília.

A escola, em muitos casos, é único meio de acesso à cultura e à educação. A Eu Quero Minha Biblioteca objetiva também trazer as comunidades para a luta pela criação de mais bibliotecas, reconhecendo o valor que esses espaços possuem. Há dinheiro público que pode ser investido sim, em alguns lugares há. Tem emenda parlamentar, tem os programas federais, o Mais Cultura. Temos que lembrar o tempo todo que o que fica fora do planejamento público não recebe orçamento. Com a informação em mãos, a sociedade pode se mobilizar para lutar por seus direitos. Tenho visto nossos materiais circulando pelas redes sociais e, em muitos deles, professores e bibliotecários estão marcando parlamentares, há um burburinho. Ano que vem tem eleições, estaremos em campo dizendo a importância de os candidatos incluírem as bibliotecas em seus planos de ação.

Plataforma – Quais são os principais desafios ao falarmos sobre a cultura do livro no Brasil?

Os desafios são inúmeros. A começar pelo fato de que 55% das escolas públicas não têm biblioteca e que em 90% dos municípios brasileiros não existem livrarias. A biblioteca, portanto, democratiza e possibilita o acesso aos livros. Muita gente comenta que a biblioteca só faz empréstimos de livros, mas se a gente pensar nesse contexto, ela então adquire um papel fundamental. No entanto, só formamos crianças e jovens leitores se tivermos famílias e professores que leem e incentivam o hábito. É uma construção. Então, os momentos de leitura nas escolas precisam estar presentes e ser realizados com diversas estratégias. Uma vez iniciados nessa trajetória, os alunos seguem lendo. O que precisa ser discutido o tempo todo no ambiente escolar, entre docentes e gestores, é o que deve ser colocado em prática para se obter o objetivo que se pretende alcançar.

Plataforma – Por que você acha que a pauta da ausência de bibliotecas em mais de 50% das escolas públicas e a desatualização dos acervos não é capaz, por si só, de sensibilizar a sociedade civil para a causa?

Porque ela vê valor nos livros. De uma forma geral, a sociedade brasileira não é consumidora de livros. Isso porque o repertório da leitura deve ser internalizado desde o útero materno. Na primeira infância temos que ter livros por perto, é importante ter essa jornada. Isso porque aprender a ler é um processo longo e que demanda muitas estratégias, mas não se tem muito essa noção da transversalidade da leitura. O que acaba acontecendo é que gente passa direto para a cultura de massa. Então, de um lado, os pais não leem para os filhos e, de outro, os professores vão pra escola sem ser leitores. Como desenvolver esse valor social com quase 500 anos sem ter essa experiência? Na escola, a literatura, em grande parte das vezes, está no território das respostas certas, ou seja, os alunos leem para responder questionários em vez de ter a oportunidade de construir um repertório sofisticado e ampliado sobre as leituras de determinado texto. Então, em vez de gostar de ler, a criança desenvolve uma raiva danada. Diante de experiências ruins ou da não experimentação da construção de senso crítico e de uma série de valores que são construídos a partir de boa experiências com a literatura, a sociedade desconhece o valor dela. Sem essa referência, ela não se sensibiliza para a causa.

No dia 21 será realizado o Diálogos 2017, evento do Movimento Brasil Literário, que vai reunir especialistas para debater o que só a literatura tem a nos oferecer. O Instituto Pró-Livro foi convidado para apresentar a Pesquisa Retratos da Leitura. Qual é a importância de levantamentos como os Retratos para a melhora dos índices de leitura do Brasil?

Na minha visão, a importância da Pesquisa se dá não só por seus dados, mas também sobre o que fazer a partir deles. O que a Retratos da Leitura faz é provocar, chamar a atenção para a necessidade de mudanças. Não podemos jamais usar as informações fornecidas por ela para sermos fatalistas. Se ela nos mostra que um dos escritores mais lidos do Brasil é Machado de Assis, o pensamento deve ser como podemos trabalhar outros textos de Machado ou a partir de Machado. Se nossos professores estão lendo pouco, o pensamento deveria ser como organizar os ambientes escolares de modo a oferecer mais oportunidades formativas aos docentes, e por aí vai. O Diálogos 2017 será um ambiente de troca de informações e de discussões sobre como podemos sair do lugar. Já passamos da hora de ampliar a discussão sobre a importância da leitura. É necessário promover debates de qualidade sobre como formar leitores e sobre como fazer a sociedade brasileira perceber, de fato, valor nos livros.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

"A ESCOLA NÃO PODE ESPELHAR A SOCIEDADE,ELA DEVE MUDAR A SOCIEDADE"

'A escola não pode espelhar a sociedade, ela deve mudar a sociedade', diz ministro sueco em Porto Alegre

Larissa Roso - Gaucha ZH 

Em dois anos, todas as crianças suecas estarão estudando programação de computador a partir do 1º ano do Ensino Fundamental. A reforma curricular em curso na nação nórdica – onde o ensino é gratuito para todos, da pré-escola à universidade – também prevê foco no desenvolvimento das habilidades que permitem que os alunos sejam capazes de diferenciar fatos e mentiras, as fake news, na internet. Ministro da Educação da Suécia e professor de História de formação, Gustav Fridolin, 34 anos, esteve em Porto Alegre no último final de semana para participar da programação da 63ª Feira do Livro, na qual seu país é um dos homenageados.

Fridolin também é porta-voz do Partido Verde, atualmente no governo, e ativista da causa ambiental. Aproveitou a estadia na Capital para um passeio de bicicleta pelas ruas do Centro, da Cidade Baixa e do Bom Fim. Ao final da pedalada, comentou que é possível perceber um interesse das autoridades em criar alternativas de locomoção na cidade, mas que “ainda há desafios”.

As crianças suecas vão começar a estudar programação de computadores a partir do primeiro ano da escola primária. Por quê?

Muitas já fazem isso. Em 2019, passará a ser obrigatório. Isso faz parte de um projeto mais amplo: a reforma do nosso currículo também inclui habilidades digitais para que os alunos se tornem aptos a prestar atenção nas fontes de informação da internet, separar fatos de mentiras, notícias de propaganda. Isso é necessário por duas razões: as escolas deveriam preparar todos os seus jovens cidadãos para serem cidadãos democráticos. Para isso, você precisa entender a sociedade, tomar decisões bem embasadas, ser capaz de refletir sobre as informações. Para mudar o mundo, você precisa entender o mundo, e programação é uma das coisas que, a exemplo de eletricidade ou infraestrutura, afetam nossa vida diária. Se você não entender isso, não poderá entender a sociedade, e se não entender a sociedade não poderá mudá-la. A outra razão é que habilidades digitais e de programação são necessárias no mercado de trabalho.

Aqui há professores em greve e recebendo salários parcelados. Em geral, os melhores alunos não querem lecionar. Como é a vida de professor na Suécia?

Tem sido um desafio também para nós. Nossa população infantil está crescendo, em grande parte devido a crianças que nascem na Suécia, o que é ótimo, mas também porque estamos recebendo crianças vindas de zonas conflagradas, como Síria e Afeganistão, e também é fantástico que possamos fazer isso. Mais crianças demandam mais professores, então temos trabalhado duro para que mais pessoas queiram se tornar professores. Vemos algumas tendências positivas: mais professores permanecem na profissão, há professores que estavam em outras carreiras e voltaram para o magistério, mais profissionais de outras áreas estão se tornando professores. Para quem não tem habilidades pedagógicas, oferecemos a possibilidade de aprendê-las. Mas a falta de professores ainda é um problema. Temos investido no aumento de salários e na contratação de equipes assistentes.

Um bom professor é o principal fator para o sucesso de um estudante?

Sim. E ter tempo com esse bom professor também. É isso que faz desse o melhor trabalho do mundo, quando você tem as condições adequadas: estar lá no momento em que outra pessoa se dá conta de que está aprendendo, de que conseguiu entender algo que achava que era impossível. Isso é fantástico. Meu trabalho é assegurar que mais momentos como esse aconteçam nas escolas suecas.

Os brasileiros não leem muito. Vocês leem.

Focamos muito nisso: todas as crianças têm que ler. Ler mais na escola e também em casa, com os pais lendo com seus filhos. Na semana passada, tivemos (no ano letivo) o intervalo de outono, que renomeamos para intervalo da leitura no ano passado. Já podemos ver mudanças: aumentou em 20% o número de livros juvenis vendidos, especialmente para a faixa de leitores de 12 a 15 anos, e as bibliotecas relatam mais visitas nesse período. Temos trabalhado com sindicatos de trabalhadores para fazer com que os pais leiam mais. Sabemos que é importante que uma criança leia com seu pai, e também é importante que ela veja seu pai lendo.

A Suécia é um dos líderes em produção científica. No Brasil, por causa da falta de verba, muitos cientistas estão desistindo da pesquisa ou se mudando para outros países. Considerando-se o desenvolvimento econômico e social, qual você acredita ser a importância da ciência?

É difícil pensar em algo mais importante do que educação e ciência para o desenvolvimento da nossa sociedade, especialmente quando tantas coisas estão mudando. A maneira como vivemos e trabalhamos, organizamos a sociedade, viajamos, nos comunicamos uns com os outros, obtemos eletricidade, usamos nossos recursos, tudo isso vai mudar nas próximas décadas. Os países que encontrarem soluções de que o resto do mundo está precisando, para transportes e energia verde, por exemplo, vão prevalecer. Os países que não conseguirem vão depender das soluções dos outros.

Qual é o seu maior desafio como ministro da Educação de um país com um nível educacional muito bom?

Acabar com a desigualdade. Muito já aconteceu, mas muito ainda precisa ser feito. O que vemos em quase todos os países é uma desigualdade crescente. A desigualdade econômica afeta as escolas. Se não interrompermos esse ciclo, haverá um grande risco para nossa economia, nossa segurança e nossa democracia. Temos que garantir que todas as crianças tenham uma boa educação para assumir o controle de suas vidas. O maior e mais importante investimento para quebrar a desigualdade é através da educação. A escola não pode se contentar em espelhar a sociedade, a escola está lá para mudar a sociedade, para construir um futuro melhor.

CHICO XAVIER PASSA APURO COM CÃO DINAMARQUÊS.

História do Chico Xavier: Chico Xavier passa apuro com um cão dinamarquês.

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2h30 da madrugada, Chico sozinho dirigia-se da casa de André, seu irmão, para a sua residência em Pedro Leopoldo. A meio caminho, duas patas enormes saltam sobre seus ombros e uma cabeça enorme, famélica, agita a pesada corrente, girando em torno da cabeça do Chico. Era o cachorro do Dimas, um temível dinamarquês que se soltara da prisão, arrastando 8 m de corrente.

Chico fica imóvel! E mansamente começa a falar:
- Ah! Você se soltou, não é mesmo? Você deve estar com muita fome para pular em mim desse jeito! Olha! Não me faça mal não! Eu preciso trabalhar daqui a pouco e não posso perder dia de serviço. Faz falta para minha família!

E o cachorro ali firme, balançando a cabeça, sem desistir do ataque. Mas Chico não desanima e sua voz suave prossegue:
- Se você me deixar, não me fizer mal nenhum, eu prometo que lhe dou toda a carne que tiver em casa. Venha comigo e eu prometo a você: toda a carne!...

Neste momento o cão desprende-se dos seus ombros e vai para o chão. Chico dá os primeiros passos e o animal o acompanha com naturalidade. Madrugada alta, lá vão os dois pelas ruas desertas de Pedro Leopoldo. Pelas calçadas, só o barulho da pesada corrente.

Abrindo a porta de casa, Chico apressa -se em advertir sua dedicada irmã: Luiza?! Já vou, Chico!

Luiza tinha o hábito de fazer um cafezinho para o irmão à hora em que ele chegasse. Chico avisa logo:
- não, Luiza, não levante, não! Estou com visita aqui e não convém que você apareça, só venha quando eu disser que pode.

Uma vez sozinho, Chico passou a mão em uma bacia e colocou-a no meio da cozinha. O cachorro ali firme, esperando...

E o Chico foi jogando tudo dentro da vasilha: um pedaço enorme de carne dependurada em um gancho, toda a carne da geladeira, abriu uma lata de sardinha, enfim colocou tudo quanto havia. Quase quatro quilos de carne.

O cachorro fartou-se, comeu tudinho!

- Agora você vai! Volte direitinho para a sua casa! Vá com Deus! Despediu-se o Chico.

Só quando fechou a porta, aliviado, Chico chamou Luiza e contou sobre a festança da carne naquela madrugada.

-Chico, porque você deu toda a carne ao cachorro? Será que um pedaço não resolveria?

- Não, eu havia prometido dar a ele toda a carne que tivesse em casa.

Fonte: Livro: Chico, de Francisco
Adelino da Silveira

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

PAULO MELLO NO GEFROMP DIA 12 PRÓXIMO, TERÇA-FEIRA.

          Encerrando o ciclo de palestrantes deste anos no GEFROMP, vamos fechar com chave de ouro trazendo o Professor Paulo Mello. A presença dele é sempre muito agradável e extremamente proveitosa.
          Aguardamos a sua presença, na próxima terça-feira, dia 12 de dezembro, às 20h:00.


ACORDA E AJUDA.

Acorda e Ajuda - Emmanuel

Segue-me e deixa aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos." - Jesus. (MATEUS, 8:22.)
Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse "aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres", e sim conferisse "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".
Há, em verdade, grande diferença.
O cadáver é carne sem vida, enquanto que um morto é alguém que se ausenta da vida.
Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.
Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.
Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.
Aprende a participar da luta coletiva.
Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas. 
Não te galvanizes na esfera do próprio "eu". 
Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão-somente para si.
Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.
Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.
Recordemos, desse modo, o ensinamento do Cristo.
Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando da jornada espiritual, deixa sempre "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".

ESTUDANTES TEM NÍVEL INSUFICIENTE DE LEITURA.

Estudantes têm nível insuficiente de leitura

Daniel Macário - Diário do Grande ABC 

Quase metade dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental da rede pública do Grande ABC tem níveis de leitura e matemática considerados insuficientes, ou seja, apresentam dificuldades em interpretar textos simples ou até mesmo em fazer contas de soma. É o que aponta resultados da ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização), divulgados no mês passado pelo MEC (Ministério da Educação).
No relatório da prova aplicada no fim do ano passado para 16,2 mil alunos da região, espalhados em 163 instituições de ensino, seis municípios avaliados – com exceção de Rio Grande da Serra – apresentam estagnação na alfabetização de estudantes da rede pública (confira arte abaixo).
A situação mais preocupante encontra-se na rede de ensino de Mauá. A maioria das crianças com idade entre 8 e 9 anos não supera o nível 2 em escala que vai até 4 e mede a proficiência em leitura (58,66% dos casos mauaenses) e Matemática (57,15%).
Segundo os critérios do MEC, significa dizer que esses estudantes são só capazes de ler textos pequenos e, em alguns casos, não conseguem entender sobre o que se trata. No caso da Matemática, os alunos só solucionariam contas de subtração com números até 20.
O cenário nos demais municípios também não anima. Quando é analisada a proficiência em leitura, mais de um terço dos estudantes de Santo André, São Bernardo e Diadema tem grau defasado. O cenário se repete na avaliação de Matemática, na qual os três municípios registram índice superior a 30% dos alunos nos níveis insuficientes.
“Os indicadores são assustadores. Nesta faixa etária, o ciclo da alfabetização já deveria ter sido encerrado. No entanto, os resultados apontam o contrário. E o pior: a probabilidade de esse aluno chegar ao 5º ano sem compreender um texto grande e demais matérias lecionadas a partir dessa fase é enorme”, avalia a pesquisadora e especialista em Educação da Universidade Presbiteriana Mackenzie Claudia Coelho Hardagh.
Para o professor do curso de Pedagogia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e coordenador do Observatório da Educação do Grande ABC, Paulo Sérgio Garcia, o resultado pode ser atribuído a questões socioeconômicas. Mas ele sinaliza também para outros problemas diretamente relacionados às instituições de ensino e ao projeto acadêmico. “Falta infraestrutura nas escolas. Além disso, a gente tem ausência de formação para professores alfabetizadores, com capacitação desses profissionais”, exemplifica o especialista, ao pedir políticas públicas com continuidade efetiva no sistema de Educação. “Em qualquer outro país onde o governo tivesse esse resultado pífio numa avaliação como essa, com certeza os governantes já teriam sido retirados do poder.”
Para pais e mães de crianças que vivem o problema da deficiência do ensino, a mudança do sistema é o passo inicial para que esse cenário se reverta. “Desde que separei do meu marido, minha filha tem encontrado dificuldade na escola. Isso em questão de leitura e escrita. Mas vejo que falta incentivo da escola também, um apoio de projeto pedagógico para que ela consiga se desenvolver”, relata Cecília (nome fictício), mãe de uma menina de 8 anos que estuda na rede pública de Diadema e apresenta proficiência baixa nos itens avaliados pela ANA.
Segundo a Prefeitura de Mauá, para reverter os indicadores negativos, o município está investindo em programas de formação para professores e educadores. Demais municípios e o governo do Estado não especificaram ações para reverter este cenário.

MEC prevê mudanças para reverter estagnação
Com o objetivo de combater a estagnação dos baixos índices registrados pela ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização), o MEC (Ministério da Educação) lançou, no mês passado, a Política Nacional de Alfabetização. Trata-se de conjunto de iniciativas que envolvem a Base Nacional Comum Curricular, a formação de professores, o protagonismo das redes e o Programa Nacional do Livro Didático.
“A principal iniciativa da Política Nacional de Alfabetização é um programa de apoio aos Estados e municípios, às turmas do primeiro e segundo anos, com materiais didáticos de apoio, de acordo com a escolha dos Estados e municípios, com apoio para o professor assistente e formação continuada”, explicou a ministra substituta do MEC, Maria Helena Guimarães.
Segundo ela, a medida se mostra necessária ao avaliar que as políticas desenvolvidas até o momento não produziram resultados efetivos. “A mesma situação de insuficiência dos resultados observados em 2014 são repetidos em 2016.”

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

MATILDE XAVIER MARIANO E O COLÉGIO MARIANO.

No sobrado onde aparecem vários alunos na sacada, funcionou durante alguns anos o Colégio Mariano.
MATILDE XAVIER MARIANO
Professora – Ela e suas seis irmãs e seu pai por volta de 1870 fundaram o famoso “Colégio Mariano”. Seus pais foram; Capitão Cândido José Mariano e Maria da Veiga Xavier Mariano e suas irmãs; Ana, Maria, Luíza, Delfina, Emília, Alice, Heliodora, eram as professoras, além do irmão Bernardo José Mariano. Matilde tinha outros irmãos como; Antônio Augusto Mariano e Cândido José Mariano, porém não consta que fossem professores. 

O colégio tornou-se referência em toda a região em razão da qualidade de seu ensino, tendo regime de internato e externato. A irmã mais velha era a Francisca, chamada por todos de “Mana” e na passagem do século (1900) era ela a diretora.
O colégio fechou entre 1909 e 1910, em razão do afastamento de algumas irmãs devido a casamento, falecimento e também do aparecimento do Colégio Sion o que muito afetou o Colégio Mariano. As irmãs deixaram o prédio onde funcionava a instituição situado na rua do Comércio (atual Vital Brazil) onde hoje se encontra o soberbo prédio do Fórum. (Foto abaixo)

 Mudaram para a Praça da Matriz, atual Praça Dom Ferrão.(foto abaixo) Ali as irmãs que não se casaram, Matilde, Emília, a cunhada Madalena e sobrinha Emília Evangelina de Moraes, conhecida por “Dona Milica”, fundaram o “Externato Sagrada Família” para ambos os sexo. Emília o dirigiu no começo passando a direção depois de pouco tempo para a sobrinha “Dona Milica”. Emília continuou apenas com a aula de aritmética. Aliás, suas aulas de tabuada eram “cantadas” o que chamava a atenção de quem passava na Praça da Matriz. Matilde nasceu em 1856 e nos últimos dias de sua profícua atividade escolar foi nomeada diretora do Grupo Escolar Zoroastro de Oliveira (1910 a 1917). Foi, também, professora da primeira Escola Normal (1904). Era solteira. Aposentada, devido aos parcos salários recebidos, era obrigada a se dedicar a bordados que fazia com capricho, tirando dessa atividade o complemento de sua subsistência. Faleceu aos 88 anos, no dia 06/06/1945. Para saber mais, consultar: “Os Correios Na História da Campanha”, de Thomas Aquino Araújo e Carmegildo Filgueiras, 1973; “Livro de Óbitos nº 12, pag. 1, da Paróquia da Campanha.
Texto: Leonardo Lima
Fotos: Acervo Paulino Araújo - José Milton

NAS ARMADILHAS DA PRÓPRIA VAIDADE.

Nas Armadilhas da Própria Vaidade - Orson Carrara

A amiga Daniela Antunes, de Bauru (SP), localizou a pérola abaixo que coloco à apreciação dos leitores. Ela está na lucidez e coerência do grande pensador espírita J. Herculano Pires. A transcrição é parcial e está no final da Apresentação feita por Herculano na 21ª. edição (outubro de 2003) do livro A Gênese, de Kardec, com tradução de Victor T. Pacheco, na edição da LAKE. A citada apresentação, assinada por Herculano, está com o título Notícia sobre o livro – A revelação do mundo, e no final com o subtítulo Evolução do Espiritismo encontramos essa preciosidade de raciocínio e advertência (datado de outubro de 1977), que deve merecer nossa máxima atenção, até para efeito de uma autoanálise do que estamos vivendo e fazendo com o Espiritismo:
“(...) Não é através de pretensas revelações mediúnicas de espíritos e médiuns invigilantes e vaidosos, nem de percepções de videntes convencidos de suposta investidura missionária, e muito menos de reformas idealizadas por cientistas improvisados, que revelam ignorar o próprio sentido da doutrina, que se fará o progresso do Espiritismo. Esse progresso só será possível depois que os adeptos sensatos consigam compreender a posição do Espiritismo no panorama geral da Cultura. Os adeptos demasiado entusiastas, como advertiu Kardec, são mais perniciosos ao Espiritismo do que os seus adversários. Estão sujeitos a cair facilmente nas armadilhas da sua própria vaidade e desfigurar a doutrina com proposições ridicularizante. Precisamos acordar para esta desoladora verdade: o Espiritismo é ainda o Grande Desconhecido, até mesmo dos espíritas que pensam havê-lo dominado completamente. Por isso, os espíritas dotados de humildade suficiente para reconhecer a sua incompetência espiritual e intelectual para tanto, servem melhor à doutrina e a preservam das deturpações dos vigilantes. O Espiritismo é o alicerce de uma nova Civilização, a plataforma das futuras conquistas da Humanidade. Precisamos estudá-lo com o respeito devido às obras-primas do saber humano, todas elas sempre orientadas por gênios da cultura, sob a assistência constante dos Espíritos Superiores que velam pela evolução planetária. Quem se julga capaz de reformular uma dessas obras acaba sempre cometendo uma profanação. Tratemos de aprofundar o nosso precário conhecimento Espírita e nunca nos atreveremos a profanar a obra genial de Allan Kardec.”
Parece-nos que o texto dispensa maiores acréscimos. Ele aí está para nossa reflexão.

POR QUE LER É CADA VEZ MAIS IMPORTANTE?

Por que ler é cada vez mais importante


O que se espera de um corretor de imóveis? Além de conhecimento técnico do assunto, desenvoltura para apresentar bem um produto e uma boa dose de empatia e criatividade. Habilidades que nem sempre são aprendidas em sala de aula. Pelo menos não foi assim com a jovem Elisiane Rocha, de 31 anos. “Eu era uma pessoa extremamente tímida, tinha muita dificuldade de falar em público. Foi nos livros que aprendi a perder este medo, quanto mais eu lia, mais me sentia mais segura para falar sobre diversos assuntos. Também me inspiro em algumas histórias para apresentar o imóvel de forma diferente”.
A corretora Elisiane Rocha conta que até se inspira em algumas histórias que lê para apresentar um empreendimento MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO
Hábitos como o da Elisiane, apesar de serem fundamentais para o desenvolvimento da carreira, não são tão comuns no Brasil. Uma pesquisa divulgada ano passado pelo Instituto Pró-livro, em parceria com o centro de pesquisas Ibope Inteligência, mostra que apenas metade dos brasileiros lê com regularidade. No Nordeste, este percentual é de 51%. Porém, esta prática é mais frequente entre os que possuem nível superior.
Em parte porque desde muito cedo a forma como estes livros são apresentados às crianças é feita de forma impositiva, obrigatória, explica a técnica de leitura e literatura do Sesc Fortaleza, a pedagoga Lúcia Marques. “O que é um erro. A leitura tem que ser algo prazeroso. Gostar de ler é uma questão de incentivo e oportunidade”.
Para ela, quem lê por prazer, tem mais chances de se tornar um profissional bem sucedido. “Quem lê mais, escreve bem, tem um vocabulário mais rico, se expressa melhor e, com certeza, aprende mais. E isso vale para qualquer instância da vida”.
A editora executiva da Fundação Demócrito Rocha, Regina Ribeiro, explica, que de um modo geral, um bom leitor pode se desenvolver mais rapidamente num espaço de tempo menor. Ela pondera que a leitura sozinha não faz milagres. Mas afirma que, entre os leitores, é fácil detectar certa “autonomia mental” que pode ser muito importante na hora de lidar com produtos que exigem criatividade. “Em qualquer área ou empresa uma pessoa com boa prática de leitura tem condições de agregar. No mínimo, terá uma boa conversa”.
Também destaca que pesquisas em Harvard mostram que mesmo a literatura de ficção é recomendada para melhorar a performance em muitas áreas. “Não existe uma receita pronta. Cada pessoa poderá ler o mesmo livro de uma forma diferente. No geral, a leitura contribui com a imaginação, com um melhor uso das palavras e um refino na capacidade de ser irônico e bem humorado. E não tem coisa pior do que viver sempre num mundo literal e sisudo, principalmente no trabalho, onde ficamos tantas horas por dia”.

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