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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

MAIS ALUNAS DO VITAL BRASIL NA DÉCADA DE 70.

Alunas da Escola Vital Brasil na década de 70.
Acho que reconheci sete delas. Marise Melo, Iracema Resende, Ana Maria Baldo, Maria Helena Mendes, Angélica, Maria Teresa Sales e Belinha Monticelli. Quem conseguiria identificar as outras?

RECADINHO SOBRE RELAÇÕES AFETIVAS.

RECADINHO SOBRE RELAÇÕES AFETIVAS.


Resultado de imagem para RELAÇOES AFETIVAS
A maioria das relações afetivas é de preenchimento e não de compartilhamento. As pessoas querem alguém para suprir as próprias carências e desarmonias. Alguém que as preencha e faça tudo o que desejam, algo como uma marionete que realize milagres ou protótipos que tapem os buracos existenciais . Compartilhar experiências com o outro é um movimento que começa dentro de cada um, a partir da convivência harmônica, respeitosa e amorosa consigo mesmo. A primeira relação é interna e o preenchimento é exclusivamente individual e intransferível. Preencha-se de você e esse autoamor se refletirá na atração por relacionamentos equilibrados.
Quântica na Vida por Fábio Figueiredo

terça-feira, 15 de agosto de 2017

TURMA DO MAGISTÉRIO DE 1977 DA ESCOLA VITAL BRASIL.

          A turma do Magistério de 1977 na Escola Estadual Vital Brasil.
          Cida Paiva,Deuscélia, Isabel, Aparecida Corrêa, Lúcia Helena Calixto, Vera, Maria Aparecida Silva, Beth, Cármen e Gaída.
          Júlia Prock, Rita, Professora Maria Helena Lemos, Dona Nair Rezende, Cidinha Serrano, Diretora dona Dalva Villamarim, Duca, Maria do Carmo Moura e Silvinha.
          Bernadete Dinamarco, Nizete Borges, Beth Felicori, Sílvia Cornélio e Marília Pires.

4 FORMAS DE INCENTIVAR A LEITURA NAS CRIANÇAS.

4 formas de incentivar a leitura nas crianças

Agora MS - 18/07/2017


Quem já teve a oportunidade de perder-se entre as páginas de um livro sabe que a leitura é uma das melhores atividades para quem deseja momentos relaxantes, prazerosos e cheios de aprendizado. Um livro tem o poder de transportar a mente para dimensões únicas, além de ser uma excelente fonte de inspiração para a criatividade. Entre os diversos capítulos de uma obra, o leitor passa a enxergar a vida de uma maneira diferente e a estimular seu pensamento reflexivo.

Para as crianças, esses benefícios são ainda mais preciosos. Incentivar o hábito da leitura, desde cedo, é muito importante pois é, durante a infância, que os pequenos começam a se desenvolver física e cognitivamente. Além disso, essa é uma fase de descoberta em que as crianças aprendem a distinção entre aquilo que é correto e aquilo que não é, e também iniciam o processo de alfabetização e conhecimento de mundo. Pensando nisso, reunimos algumas dicas para ajudar a você a incentivar o hábito de leitura no seu pequeno. Confira!

1 – Não obrigue a criança a ler

O primeiro passo é evitar qualquer tipo de obrigação relacionada à essa atividade. Os pequenos devem se sentir interessados pela leitura e enxergá-la como algo prazeroso. Por isso, a dica é que os próprios pais comecem a ler para os seus filhos, até mesmo para aqueles que já iniciaram o processo de alfabetização. Observando o entusiasmo dos pais, as crianças ficarão ainda mais interessadas pelo livro.

2 – Encontre o tipo de leitura que o seu filho gosta

Levar em conta o gosto da criança é um ponto-chave para incentivar a leitura. Por isso, é fundamental conversar com o seu filho sobre suas preferências ou levá-lo para escolher algum livro na seção infantil da biblioteca ou livraria. Se a criança se interessa por pintura, por exemplo, um livro de colorir pode ser uma boa pedida.

3 – Escolha o livro apropriado para a idade

Um fator fundamental para incentivar a leitura é fazer a escolha do livro de acordo com a idade da criança. Antes da alfabetização, os pequenos tendem a ter um contato visual e a querer sentir os livros com as próprias mãos. Nessa fase, edições de livros coloridos e feitos de plástico são ideais. Já com o início da alfabetização, é indicado que os pais adotem um método de leitura alternada, ou seja, deixar o filho ler uma parte da história e o pai a outra. Nesse momento, prefira livros que tenham um equilíbrio entre a escrita e as ilustrações.

Para não errar na escolha das obras, uma boa opção é assinar um clube do livro e, assim, receber títulos adequados para a idade do seu filho. A Leiturinha é um exemplo de clube de assinatura de livros infantis. O clube conta com uma equipe de curadoria, composta por profissionais especializados na área de pedagogia e psicologia, que seleciona os livros apropriados para a idade de cada criança.

4 -Estimule o interesse para a criação de histórias

Mesmo após a alfabetização, é fundamental a participação dos pais para que os pequenos continuem envolvidos com a leitura. A última dica, então, é instigar a criação de histórias para que os pequenos criem suas próprias narrativas e, quem sabe, até seus próprios livros. Assim, a criança desenvolverá a capacidade cognitiva, criativa e ficará ainda mais interessada por livros.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

COMO O CANADÁ SE TORNOU UM SUPERPOTÊNCIA EM EDUCAÇÃO.

Como o Canadá se tornou uma superpotência em educação

Sean Coughlan - BBC Brasil - 05/08/2017
Embora seja muito menos lembrado, o Canadá subiu ao topo dos rankings internacionais.

Na mais recente rodada de exames do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade que reúne países desenvolvidos), o Canadá ficou entre os dez melhores países em matemática, ciências e interpretação de texto.

As provas são o maior estudo internacional de desempenho escolar e mostram que os jovens do Canadá estão entre os mais bem educados do mundo.

Eles estão muito à frente de vizinhos como os Estados Unidos e de países europeus com quem têm laços culturais, como o Reino Unido e a França.

O Canadá também tem a maior proporção de adultos em idade produtiva com educação superior – 55%, em comparação com uma média de 35% de países da OCDE.

Alunos imigrantes

O sucesso do Canadá em testes escolares é incomum ao ser comparado com tendências internacionais.

Os países com melhor desempenho costumam ser pequenos, com sociedades homogêneas e coesas e com cada pedaço do sistema educacional integrado a uma estratégia nacional – como em Cingapura, que tem sido usado como exemplo de progresso sistemático.

O Canadá nem sequer tem um sistema educacional nacional, pois a organização é baseada em províncias autônomas. E é difícil imaginar um contraste maior entre uma cidade-Estado como Cingapura e um país de dimensões continentais como o Canadá.

Em uma tentativa de entender o sucesso do Canadá na educação, a OCDE descreveu o papel do governo federal no setor como “limitado e às vezes inexistente”.

Também é bem conhecido o fato de que o Canadá tem um alto número de imigrantes em suas escolas. Mais de um terço dos jovens no Canadá têm ambos os pais oriundos de outro país.

Os filhos das famílias de imigrantes recém-chegados se integram em um ritmo rápido o suficiente para ter o mesmo desempenho de seus colegas de classe.

Quando o último ranking da OCDE é analisado em detalhe, os resultados regionais do Canadá são ainda mais impressionantes.

Se as províncias se inscrevessem no teste como países separados, três delas (Alberta, Quebec e British Columbia) estariam entre os cinco primeiros lugares em ciências, junto com Cingapura e Japão e à frente de lugares como Finlândia e Hong Kong.

Afinal, como o Canadá superou tantos outros países na área de educação?

Andreas Schleicher, o diretor de educação da OCDE, diz a característica que une os diversos sistemas educacionais do país é a igualdade.

Apesar de diversas diferenças nas políticas educacionais, um traço em comum entre todas as regiões do país é o comprometimento em oferecer igualdade de oportunidades na escola.

Schleicher diz que existe um forte senso de equilíbrio e igualdade de acesso – o que pode ser observado na alta performance acadêmica de filhos de imigrantes.

Até três anos depois de chegar ao país, os alunos imigrantes alcançam notas tão altas quanto as de seus colegas. Isso torna o Canadá um dos poucos países em que crianças imigrantes atingem um patamar similar aos das não-imigrantes.

Outra característica distinta é que os professores são muito bem pagos em comparação com os padrões internacionais – e o ingresso na profissão é altamente seletivo.

Oportunidades iguais

David Booth, professor do Instituto para Estudos em Educação da Universidade de Toronto, destaca um forte investimento de base em alfabetização.

Existiram esforços sistemáticos para melhorar a alfabetização, com a contratação de educadores bem treinados, investimento em recursos como bibliotecas nas escolas e avaliações para identificar escolas ou alunos que possam estar tendo dificuldades.

John Jerrim, do Instituto UCL de Educação de Londres, diz que o ótimo desempenho do Canadá nos rankings internacionais reflete a homogeneidade socioeconômica do país.

O país não é uma nação de extremos. Pelo contrário, seus resultados mostram uma média alta, com pouca diferença entre os estudantes mais e menos favorecidos.

No mais recente Pisa, o exame da OCDE, a variação de notas causada por diferenças socioeconômicas entre os estudantes canadenses foi de 9%, em comparação com 20% na França e 17% em Cingapura, por exemplo.

Os resultados mais igualitários explicam porque o Canadá está indo tão bem em exames internacionais. O país não tem nem uma fatia residual de estudantes com desempenho ruim, o que normalmente é algo relacionado à pobreza.

É um sistema consistente. Além da pouca diferença entre estudantes ricos e pobres, também há uma variação muito pequena entre diferentes escolas, em comparação com a média de países desenvolvidos.

Segundo o professor Jerrim, o alto número de imigrantes não é visto com um potencial entrave ao sucesso nos exames – o fato é provavelmente um dos ingredientes dos bons resultados.

Os imigrantes que vivem no Canadá, muitos de países como a China, a Índia e o Paquistão, têm educação relativamente alta, e a ambição de ver seus filhos se tornarem profissionais bem sucedidos.

O especialista afirma que essas famílias têm “fome de sucesso”, e que suas altas expectativas provavelmente influenciam o desempenho escolar de seus filhos.

O professor Booth, da Universidade de Toronto, também cita esse fato. “Muitas famílias recém-chegadas ao Canadá querem que seus filhos tenham sucesso, e os alunos têm motivação para aprender”, diz.

Este ano tem sido excepcional para a educação no Canadá. As universidades estão aproveitando o “efeito Donald Trump”, com um número recorde de inscrições de estudantes que enxergam o Canadá como uma alternativa aos Estados Unidos após a eleição do atual presidente.

A vencedora do Prêmio Global de Professores também é canadense – Maggie MacDonnel está usando a condecoração para fazer campanha pelo direitos dos estudantes indígenas.

No ano em que celebra seu aniversário de 150 anos, o Canadá reivindica o status de uma superpotência em educação.

34ª GRANDE CORRIDA DA INDEPENDÊNCIA




“34ª GRANDE CORRIDA DA INDEPENDÊNCIA”


Movimento cívico-patriótico, esportivo-cultural - Fundado em 1972.

Considerada “A maior Corrida pedestre de revezamento do mundo”, feita por um só grupo.

Corrida Pedestre de Revezamento onde 24 atletas da cidade da Campanha-MG correm em revezamento, conduzindo uma “Tocha Olímpica”.

O termino da Corrida é sempre na cidade da Campanha-MG para a
“Abertura Oficial da Olimpíada Campanhense e Homenagens”.

A Corrida já teve sua saída de quase todas as capitais brasileiras passando por 20 Estados Brasileiros, o Distrito Federal, Buenos Ayres-Argentina, Montevideo-Uruguai e Assunção-Paraguai.

A maior Corrida realizada saiu de Porto Velho-RO. Trajeto de 3.600 km, percorridos em 11 dias, até Campanha-MG.

Ao término da Corrida deste ano (34 Edições), a Corrida terá percorrido mais de 41.000 km.
Mais que a distancia da volta ao mundo.

2017 – “Caminho da Fé – Tributo ao Beato Padre Victor”

Abertura Oficial da 59ª Olimpíada Campanhense
“A Maior concentração esportiva do Sul de Minas”

Os atletas conduzirão, em revezamento, a Tocha Olímpica de Três Pontas, Nepomuceno – Lavras – Madre de Deus – São Vicente - Cruzília - Baependi até Campanha – MG.

O acendimento da Tocha e a largada da Corrida será em Três Pontas dia 1º de setembro, sexta-feira às 9h00 na Igreja Matriz de N.S. D’Ajuda.

Dia 2 de setembro, sábado, passagem por Baependi às 11 h00 no Santuário N. S. da Conceição - Igreja da Nhá Chica

Chegada na Campanha-MG, dia 02 de setembro, sábado às 20h30 no Ginásio José Augusto Paiva- Canário para a Abertura Oficial da 59º Olimpíada Campanhense.

Coordenador: Rubens Ramos de Oliveira - CREF 046445 - P/SP
Tel. (35) 3438.1544  -  3438.2430  -  9.8461.1959
rubens.esporte@hotmail.com
 

sábado, 12 de agosto de 2017

FELIZ DIA DOS PAIS.

Através deste vídeo, muito merecido, nossa homenagem à todos os papais pelo seu dia.

video

UEMG-CAMPANHA PROMOVE LANÇAMENTO DE 2 LIVROS.

              A UEMG unidade Campanha, e os autores, convidam para o lançamento dos livros:
              ELITES REGIONAIS E A FORMAÇÃO DO ESTADO IMPERIAL BRASILEIRO.
              Minas Gerais - Campanha da Princesa - 1799 - 1950.
              De autoria do Professor Marcos Ferreira de Andrade.
                                                                         e
              DE ARRAIAL A VILA
              A criação da Vila da Campanha da Princesa.
              De autoria da Professora Patrícia Vargas Lopes de Araújo.

              O evento acontecerá no Salão da Câmara Municipal da Campanha
              Rua Padre Natuzzi - 79 - Centro
              Campanha - MG
              Dia 18 de agosto de 2017 às 19 Horas.

              Atenção:
              Para garantir o seu livro entre em contato com a UEMG-Campanha pelo telefone:
              35-3261.2020 ou e-mail: egressoshistoriauemg@gmail.com

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

FOTO FÊNIX


O FIM DO FIM DO LIVRO.

O fim do fim do livro

Rui Campos


Quantos psicólogos são necessários para se trocar uma lâmpada? Basta um! Mas a lâmpada precisará “desejar” ser trocada!
Pois é. O desejo move montanhas. Com a leitura também é assim.
A pessoa pode passar a vida sem leitura. Certamente uma vida menos ilustrada. Mas não morrerá de inanição ou sede como se abstivesse de comida ou água.
Cultura, cultivo... a leitura precisa ser cultivada. Precisamos cultivar o desejo de conhecimento, o desejo de leitura.
A grande ferramenta que possibilita a leitura é o livro, seja em que suporte for.
Durante séculos, o impresso veio sendo cultuado, reverenciado, aprimorado, adornado com design espetacular, belas capas, papel leve e de tom confortável, orelhas inteligentes, rosto encantador. Um produto multissensorial.
Seus autores tratados como estrelas, seus editores reverenciados. E seus locais de encontro com o leitor, as livrarias (físicas ou virtuais), locais frequentados e amados por toda gente. Verdadeiros pontos de encontro, praças, bibliotecas! Pois afinal, ali é possível manusear os livros, lê-los e até mesmo leva-los para casa por módicas quantias.
O livro impresso, como o garfo e a faca, disse Umberto Eco, são objetos definitivos.
Algumas poucas inovações surgiram através dos tempos.
Recentemente, surgiu o aparelho eletrônico para leitura. Trouxe uma série de alternativas e de facilidades para os leitores: capacidade de armazenamento, acesso rápido e remoto, entre outras. Bem-vindas novidades.
Mas os donos do negócio tinham pressa. Uma pressa que se mostrou um tanto desconectada. Seria mais rápido destruir o que já havia. Varrer o concorrente do mapa. Acabar com o livro impresso.
Esses donos do negócio são poderosos. Nada menos do que algumas das maiores corporações mundiais.
Logo toda uma campanha contra o livro impresso se iniciou. Segundo essa distopia, ele seguiria moribundo. Discutia-se a data final. O avanço do e-book seria exponencial. Nesse ano de 2017, já só restariam cinzas de livros e livrarias. Saudosas livrarias. Morreriam em 2015!
Claro que sempre restaria um nicho: gente saudosista e antiquada, a cultivar fósseis e colecionar relíquias. Ludistas.
As editoras também: essas faleceriam por volta de 2014. Por absoluta obsolescência.
Os editores? Dispensáveis. Cada autor se autopublicaria. Uma nova “Geração Mimeografo” high tech!
Para atingir rapidamente o objetivo dos novos poderosos, muita gente embarcou nessa canoa: tantas previsões, estatísticas, artigos jornalísticos visionários dos “Evangelizadores Tecnológicos”!
Muito espaço na mídia escrita, falada e principalmente eletrônica foi utilizado na blitz iconoclasta visando limpar rapidamente o espaço para a chegada triunfal do livro eletrônico. Muito dinheiro, público inclusive, foi investido e perdido.
Uma busca por tudo o que foi escrito sobre o tema pode render um interessante retrato desses tempos insensatos.
O fato é que as coisas foram se acomodando. A sociedade se manifestou. O livro eletrônico vai ocupando seu lugar. Modesto, embora ainda com perspectivas de crescimento.
O livro impresso, livrarias e editores sofreram.
Hoje as notícias são de retomada no crescimento de vendas, surgimento de novas livrarias pelo mundo afora.
Evidencias da manifestação da sociedade e do seu desejo pelo sagrado objeto multissensorial, o livro!
Dos formuladores e divulgadores das previsões atrevidas e catastróficas que causaram prejuízos e mal-estar ao mercado livreiro não adianta esperar reparação ou pedido de desculpas pelo estrago.
Um editor estrangeiro me confidenciou recentemente: “Concedi hoje uma entrevista para a Revista Wired que foi muito desagradável. Eles queriam saber sobre nossos planos para edições eletrônicas de livros de arte. Mas eu não tinha o que dizer pois abandonamos completamente esses projetos. Mas tive que dissimular e enrolar pois não poderia admiti-lo!”.
Lembro-me especificamente da capa de uma das nossas principais revistas semanais onde Paulo Coelho, nosso maior best-seller, uma verdadeira lenda do mercado livreiro mundial, segurava um tablete com a seguinte manchete: “O último livro que você vai comprar!”
Forte, não é? E muitos números, power points, gráficos divulgados sobre o fim do nosso nobre objeto de leitura.
Do meu ponto de vista, o ponto de vista dos livreiros, contamos perdas, mas agora já estamos à vontade para comemorar a certeza do fim do fim do livro!

(Publishnews - 19/07/2017)

*

Rui Campos é dono da rede Livraria da Travessa. Sua primeira aventura no mundo do livro foi em 1975, quando inaugurou a Livraria Muro, em Ipanema, que logo firmou-se como um lugar de encontro, discussão e resistência ao regime militar. Em meados dos anos 1990, Rui inaugurou a Livraria da Travessa, na Travessa do Ouvidor, no Centro do Rio. Hoje a Travessa conta com sete lojas no Rio e uma em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Nesse espaço, Rui discute os temas relacionados ao mercado livreiro e o seus impactos na sociedade.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

SERÁ O QUE PENSA NOSSOS JOVENS?

                     A grande maioria dos nosso jovens estão partindo em busca de seus ideais.                       A rapaziada acima, está na faixa dos 30. Quantos voltaram para Campanha?
Assim como tantos outros, o que será que eles pensam de sua cidade natal?

OLHE AS BIBLIOTECAS, MINISTRO.

Olhe as bibliotecas, ministro

Bernardo Mello Franco
O novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, indicou que abrirá os cofres federais para a elite das escolas de samba. Nada contra a folia, mas há quem precise mais da ajuda do governo. No Rio, três bibliotecas modelo estão fechadas há sete meses por falta de dinheiro.

As chamadas bibliotecas parque foram inauguradas a partir de 2010, quando o Estado surfava nos royalties do petróleo e na euforia da Olimpíada. A promessa era levar livros, computadores e recursos multimídia a jovens de comunidades que eram dominadas pelo tráfico.

As primeiras duas unidades foram erguidas nas favelas da Rocinha e de Manguinhos. A terceira substituiu a antiga biblioteca pública do centro, a poucos metros da Central do Brasil. Todas contavam com wi-fi gratuito e computadores de última geração. Eram oásis de cultura em áreas marcadas por violência e abandono.

O sonho das bibliotecas faliu junto com o Estado do Rio. O governador que as inaugurou está na cadeia, condenado por corrupção. Os livros também estão presos. Em dezembro passado, as três bibliotecas foram trancadas com todo o acervo dentro.

O governo Pezão parou de pagar a organização social que geria o programa. A entidade rompeu o contrato, que previa o repasse anual de R$ 20 milhões, e demitiu cerca de 150 funcionários. Os estudantes ficaram ao relento. Só a biblioteca da Rocinha chegou a emprestar 15 mil livros e emitir 5.000 carteirinhas de sócio.

O secretário estadual de Cultura, André Lazaroni, diz que não há previsão de reabertura das unidades. Sua pasta também responde pelo Theatro Municipal, cujos funcionários estão sem receber. O primeiro-bailarino da casa virou motorista de Uber para pagar as contas.

O novo ministro é carioca e poderia ter estreado com um socorro às bibliotecas. Preferiu prometer mais dinheiro público aos capos do Carnaval. A festa é linda, mas já conta com verba da prefeitura, apoio dos bicheiros e um milionário contrato de TV.

(Folha de S. Paulo - 26/07/2017)
*

Bernardo Mello Franco  é jornalista, assina a coluna Brasília. Na Folha, foi correspondente em Londres e editor interino do 'Painel'.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

FUTEBOL DA MORETZSOHN FERRAMENTAS NA DÉCADA DE 70.

                                Alguém vai me ajudar a descobrir o nome deste time. Os jogadores são:                                       Mauricio, Nico, Celso Pé Vermelho, Jorge Canoa, Bonifácio, Artur Fonseca e Gervásio.
                      Sebastião, Paulinho Niquinho, Pedro Deolindo, Pedrinho, Hélio Baiano e Beião.

POR QUE A LEITURA FAZ UM BEM TÃO GRANDE?

Por que a leitura faz um bem tão grande?

Kevin Andrade dos Santos - 1News - 27/07/2017


A leitura geralmente faz parte do dia a dia de qualquer ser humano. Pode ser de um livro, revista, gibi ou mesmo um simples outdoor; a leitura está presente no cotidiano. E, apesar de passar despercebida algumas vezes, ela pode trazer um bem enorme a sua mente, exercitando-a e prevenindo contra algumas doenças. Confira:

Ajuda a diminuir o estresse: a leitura pode ajudar a evitar o estresse, especialmente se for uma leitura prazerosa, algo que a pessoa goste de ler. Se a leitura for à noite, ela ainda pode ajudar pessoas com insônia.
Enriquecimento pessoal: seu repertório cultural e conhecimento aumentam. Quanto maior for a quantidade de livros, mais enriquecimento se tem. Além disso, a leitura também ajuda a se ter uma ortografia melhor, visto que, ao ler, várias palavras são aprendidas.

Memorização: pode ajudar a memorizar melhor as informações, já que o leitor precisará estimular a memória e lembrar-se do que leu anteriormente (principalmente se for um livro grande).

Concentração: com a concentração, há a oportunidade de treinar a mente e exercitá-la, principalmente em locais com muito barulho.

É uma ótima terapia: há pessoas que, quando leem, sentem-se mais relaxadas e seguras. Ou seja, é uma ótima forma de “fugir da realidade” e se sentir mais livre.

Previne doenças: ler previne Alzheimer e Demência, pois, assim como citado anteriormente, a leitura exercita o cérebro, mantendo-o ativo.

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

EQUIPE DO PALMELA EM 1974.

            A foto está de baixa qualidade, mas o futebol desse time era de muita qualidade. A equipe do Palmela nos anos 70: Antônio Flávio Fernandes, Celsinho Marimbondo, Leonardo de São Gonçalo do Sapucaí, Carlinhos Moura, Celso Borges e Bonifácio.
            Beto Fernandes, Zezé Marimbondo, Aluísio sô Lobo, Claudinho Piranga e Getúlio Fernandes.

"NÃO APRENDEMOS COM O QUE TEM SIDO FEITO NOS ÚLTIMOS 20 ANOS."

André Lázaro: 'Não aprendemos com o que tem sido feito nos últimos 20 anos'

Embora ações pontuais como o Prêmio VivaLeitura tenham sido preservadas, para o professor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), André Lázaro, pesquisador da Flacso-Brasil e diretor da Fundação Santillana, o conhecimento acumulado nas duas últimas décadas nas políticas públicas do livro e leitura teria muito a ensinar para o Brasil de hoje. Convidado pelo Blog do Galeno, dentro das comemorações de seus 10 anos, André faz um balanço da década para o setor.

1- Qual sua avaliação sobre os últimos 10 anos no que diz respeito às políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil?
André Lázaro: É importante registrar que algumas iniciativas ao longo dos últimos 10 anos permanecem ativas, como o Prêmio VivaLeitura, criado em 2006 e ativo até hoje. O Prêmio, que conta com a parceria MEC-MinC, apoio do CONSED e da UNDIME e parceria da OEI (Orgnização dos Estados Ibero-americanas) e Fundação Santillana, tem destacado iniciativas de bibliotecas públicas e privadas, redes de ensino, territórios e pessoas, reconhecendo que promover a leitura é tarefa de muitos. No entanto, em muitos casos, as políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil sofrem pelas frequentes descontinuidades que prejudicam sua efetiva incorporação no rol das iniciativas culturais. O Proler, por exemplo, já contou com forte apoio público, criou redes nacionais, desenvolveu programas consistentes ao longo dos anos 1990 para depois perder força e organização. Recentemente, a legislação que organiza a Biblioteca Nacional foi alterada e a direção do Proler cabe, agora, ao secretário-executivo do Ministério da Cultura. Ora, secretário-executivo tem inúmeras e imensas tarefas e embora atribuir a esse cargo possa parecer prestígio para a política, na prática significa que ela será tragada pelo um cotidiano de demandas que inundam os gabinetes dos secretários-executivos. Nos anos 2000, outras iniciativas tiveram lugar, como a Câmara Setorial do Livro e da Leitura, um espaço de diálogo entre atores relevantes no campo, mas sofreu descontinuidade. Do mesmo modo, o Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL), que se revelou um instrumento potente de articulação federativa e entre os setores público e privado não tem recebido o apoio necessário. A descontinuidade é, certamente, o maior empecilho para o bom desenvolvimento de políticas para o livro, a leitura, a literatura e bibliotecas no Brasil. Sem política clara, nem mesmo recursos, se e quando houver, adiantam pois não se trata de realizar ações espetaculares e eventuais, mas estruturar as iniciativas e articular potencialidades.

2- Em outras palavras, houve avanços, estacionou ou retrocedeu?
André Lázaro: Em minha avaliação há retrocessos pois não aprendemos com o que tem sido feito nos últimos 20 anos.

3- Na sua opinião, o que representou o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), lançado em 2006, e o que representa hoje?
André Lázaro: O PNLL representa uma possibilidade que foi abandonada ou negligenciada. Trata-se de uma estratégia corajosa e adequada pois articula os setores público e privado, mobiliza o pacto federativo, estimula o diálogo imprescindível entre educação e cultura em cada ente da federação. É possível fazer um balanço do que aprendemos com o PNLL? O que pode ser melhorado para que a estratégia do Plano seja fortalecida? Ou será que devemos deixar nas mãos do mercado as possibilidades de promoção do livro e da leitura?

4- Você crê que há, efetivamente, a compreensão e o entendimento dos atores sociais e políticos - editores, livreiros, autores, bibliotecários, especialistas e técnicos e gestores da área - com relação ao significativo e o papel das políticos públicas setoriais, a ponto de defendê-las, ou, ainda, o que prepondera é o interesse, legítimo, de que se tenha um ou outro projeto ou programa pontual?
André Lázaro: Creio que há percepções e compromissos desiguais quanto à relevância das políticas públicas para o setor. Para os que adotam uma visão liberal sobre o papel do estado, os projetos pontuais e os interesses específicos criam as condições satisfatórias. Acho essa compreensão incorreta e insuficiente para que a população do Brasil avance no domínio e desfrute da leitura literária. É preciso atuar de modo articulado em diversas frentes, como a formação de professores, desde os que atuam na primeira infância até a educação superior, passando pela educação de jovens e adultos. Neste particular, avançamos quando o MEC passou a incluir EJA na biblioteca do professor e jovens e adultos no Programa Nacional de Biblioteca Escolar. É preciso fortalecer as bibliotecas escolares e comunitárias, criar políticas que permitam a sobrevivência digna e ativa das pequenas livrarias, ampliar o acesso aos acervos públicos, promover o livro e a leitura como práticas culturais. Creio que a complexidade do processo exige parcerias entre os entes federados, entre educação e cultura, entre setores públicos e privados. Foi assim que alguns países avançaram e a Colômbia é sempre um exemplo com que podemos aprender.

5- Há quem enxergue o PNLL tendo como papel um conjunto de diretrizes, algo mais conceitual, para alinhar as ações de estado, empresas e sociedade, uma espécie de visão politica. E também há quem entenda que, além disso, também é preciso que se tenha metas, responsáveis, orçamentos e compromissos concretos, em cada gestão, inclusive nos âmbitos regionais e locais. Como você enxerga o PNLL?
André Lázaro: O PNLL é, inegavelmente, o fruto do amadurecimento do trabalho em parceria entre o MEC, o MinC, o setor produtivo do livro e da leitura e de contribuições de autores e especialistas. Nenhum plano é suficiente se não for testado, monitorado e avaliado. A meu ver, o abandono do PNLL significa que se perde a oportunidade de aprender com o que temos feito. Daqui a alguns anos, boas intenções vão tentar começar do zero, ignorando o que hoje sabemos e poderíamos levar adiante. De todo modo, pela força cultural, civilizatória e emancipatória do livro e da literatura, pelo empenho de muitos professores, técnicos, gestores, especialistas, editoras e livreiros, creio que vamos avançando lentamente, menos do que o necessário, mais do que o descaso com a política pode imaginar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

QUE TIME É ESSE?

                                Me deparei com esta foto tirada no antigo campo do Palmeiras. O primeiro de pé na ponta tem cara de Cesarino. O grandão acho que é o Ramiro la do Mandu. O ponta esquerda me parece ser o Gervásio. Os demais, não os reconheci.

MINHA PREOCUPAÇÃO FOI MAPEAR A LITERATURA QUE ESTÁ FORA DOS RADARES.

Joselia Aguiar: 'Minha preocupação foi mapear a literatura que está fora dos radares'

André de Oliveira - El País - 17/07/2017
Em 2016, logo após assumir a curadoria da Festa Literária de Paraty, a Flip, a jornalista cultural e historiadora Joselia Aguiar conversou com o EL PAÍS. Sua ideia, já clara, era fazer com que um dos principais eventos de literatura do país tivesse mais diversidade em sua programação: com mais presença feminina e de autores negros. Dez meses depois e a menos de duas semanas do evento, a intenção virou realidade. A Flip deste ano é a mais diversa da história do evento, buscando autores que estão fora do radar do grande mercado editorial. Na entrevista abaixo, Joselia conta sobre o processo de curadoria e o que descobriu ao longo dele, além de comentar destaques da programação e refletir sobre o que espera do evento.

Pergunta. A última edição da Flip, em 2016, sofreu críticas de parte do movimento negro pela ausência de diversidade nas mesas. Desta vez, a programação é a mais diversa vista até agora, com grande presença feminina e de autores e autoras negros. Foi uma resposta a uma demanda?

Resposta. Não no sentido de que eu, como curadora, cumpri uma demanda que não era minha. Eu tenho um percurso e as escolhas que fizemos para este ano são condizentes com ele. Nasci em Salvador, estudei a fotografia da Bahia negra do etnofotógrafo Pierre Verger, recentemente finalizei uma biografia do Jorge Amado. Assim, as opções da programação não são apenas uma mera formalidade ou o cumprimento de uma tarefa da “marca” Flip. Ao mesmo tempo, a força que eu tive para fazer essas mudanças no programa veio, principalmente, da internet, onde dois movimentos ativistas fortes [feminista e negro] começaram a receber bem as novidades. Embora não seja uma resposta imediata às críticas, minha curadoria se beneficiou, sim, dessa força e expectativa.

P. E o que você descobriu sobre o mundo editorial brasileiro nesse processo de fazer uma curadoria com mais diversidade?

R. Há um conjunto de nano, micro e pequenas editoras que são fundadas e tocadas por mulheres. Eu poderia sentar aqui e falar logo umas quinze em diferentes Estados. Isso é muito interessante. Eu também percebo que existe uma tradição de literatura afro-brasileira que é publicada por algumas editoras que sempre estiveram um pouco à margem, como a Mazza, em Minas Gerais. Ao mesmo tempo, estão nascendo outras iniciativas de publicação afro-brasileira, como a Malê, no Rio de Janeiro, e a Kapulana, em São Paulo. E, conversando com eles, é possível entender que isso também é resultado das ações afirmativas que colocaram mais negros na Universidade, possibilitando a formação de mais intelectuais interessados em conhecer a própria história afro-brasileira. O tamanho desse mundo editorial é incrível e é impressionante como se percebe um Brasil que não está aparecendo nos jornais. Agora, a duas semanas do evento, eu sinto que as pessoas que querem ir à Flip estão muito interessadas em conhecer essas novidades. Não se trata de rivalizar com uma literatura de massa ou mais estabelecida no mercado, mas de construir uma nova situação, um novo espaço, para outro tipo de projeto.

P. Desse modo, o evento se afasta um pouco do mercado editorial que já tem mais visibilidade?

R. Não é possível dizer que há uma coisa completamente desconectada do mercado. Em benefício do próprio autor, eles querem poder vender os livros. Mas, sem dúvida, minha grande preocupação foi mapear aquilo que não está ao alcance da vista imediatamente. Foi buscar o que há de interessante e está fora do radar: seja porque é uma autora mulher e o mercado está pouco aberto, seja porque é um autor negro e enfrenta barreiras semelhantes, seja porque é um autor que está em um algum lugar distante editorialmente do Brasil, como é o caso da Islândia e Ruanda, representadas pelo autor Sjón e pela escritora Scholastique Mukasonga, respectivamente.

P. De certa forma, é uma Flip para ser descoberta, então?

R. Sim. Eu acredito que a Flip, por ser a maior festa literária, a pioneira, pode ter o arrojo de sair na vanguarda de alguma coisa. Para que ela permaneça como referência, tenha relevância e paute a imprensa, é preciso trazer coisas novas e não apenas refletir o que já existe no mercado consolidado. Agora, não dá pra dizer nunca que a Flip está desvinculada do mercado editorial. Por quê? Porque o autor vai lá e ele próprio tem suas expectativas. Há uma livraria oficial e as pessoas encontram os livros dos convidados lá. E isso é importante também. Além do mais, a relação com as editoras, com agentes literários e, no caso dos estrangeiros, com as embaixadas, é extremamente importante. O trabalho de curadoria é feito em 10 meses e a conversa é essencial para que ele seja construído.

P. Uma lista publicada pelo NexoJornal mostra que dois dos primeiros livros mais vendidos no Brasil desde 2010 são do bispo Edir Macedo e o terceiro é o best-seller A Culpa é Das Estrelas. Não é estranho estarmos discutindo o mercado editorial quando quem está no topo são esses livros?

R. Isso sempre existiu e eu acho contraproducente ficar reclamando que agora os youtubers, por exemplo, estão fazendo os livros mais vendidos. Eu acredito que é quase como você atacar aliados. O problema não é o best-seller, nunca foi. O problema, de sempre, é que é necessário formar leitores, estimular a leitura, fazer com que as pessoas se aproximem de formas mais complexas de linguagem. E a Flip, acredito, tem capacidade de ajudar nisso um pouco. Por isso, não passa pela minha cabeça ficar reclamando que o mais vendido é o Padre Marcelo Rossi ou o Edir Macedo.

P. Ao mesmo tempo, há um cenário de pequenas editoras com propostas de livros mais artesanais – presente em eventos como a Feira Plana, de São Paulo. Algo que foge não só do grande mercado, mas da velha discussão que se questiona se o papel vai acabar etc.

R. É curioso, mas acho que isso está sendo possível graças às novas tecnologias. É o desenvolvimento tecnológico que possibilita um barateamento de custos, assim como a facilidade de disseminar uma mensagem pela internet e atingir nichos de muita afinidade. E eu não tenho como provar, mas fazendo uma observação do mercado, parece que quanto mais a crise aperta, mais as pessoas procuram se vincular a essas iniciativas. É quase como uma forma de tentar se fortalecer. São projetos mais independentes e de maior resistência. É na crise que percebemos como as pessoas gostam de livros.

P. Por falar nisso, e a crise política? Como vai aparecer nessa Flip?

R. Muitas vezes os eventos são cobrados a discutir questões que estão acontecendo, mas acho que deve haver o cuidado para não se transformar um evento literário em um programa de debates só sobre a crise. Claro que isso vai aparecer naturalmente e, obviamente, os autores estão liberados para dizer o que quiserem. Também acho que, com a programação, estamos tocando no aspecto mais importante deste país: a desigualdade social e racial. É uma forma de contribuir para o debate da crise política, mas com a contribuição que é possível para a Flip, sendo que ela é uma festa de literatura. Por fim, há também o fato de que o homenageado, Lima Barreto, falava muito de política, apontava os problemas da República e como ela estava se constituindo, abordava também o tema da corrupção. Então, acho que as diferentes crise vão permear as conversas.

P. Você já tinha uma história com o Lima Barreto, não?

R. Em 2013, quando terminou a Flip, o nome dele surgiu em uma coletiva de encerramento. Depois, algumas pessoas começaram a sugerir o nome dele na internet. A partir daí, a historiadora Denise Bottmann teve a ideia de fazer um abaixo-assinado para que o nome dele fosse emplacado. Eu participei disso. Era uma brincadeira de internet, mas acontece que acabamos reunindo mil nomes, como Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro e Nicolau Sevcenko. Assim, desde essa época, há uma expectativa sobre isso. Quando eu fui escolhida curadora, argumentei em favor dele e também dei sorte de pegar um momento bem oportuno do debate racial no Brasil e no mundo.

P. E por que o Lima?

R. É um autor que eu só fui conhecer, de fato, na minha pesquisa para a biografia do Jorge Amado. E a influência que ele teve para o Jorge Amado me impressionou bastante. Nos anos 1920, o Jorge Amado fazia parte de um grupo de jovens poetas que tinha como mentor um cara chamado Pinheiro Viegas, um escritor baiano que tinha vivido no Rio de Janeiro e tinha feito parte da turma de botequim do Lima. Quando esse cara chega a Bahia na segunda metade da década de 1920, ele conhece esse grupo de jovens poetas que não era vinculado ao modernismo paulista. Eles eram modernos sem serem modernistas. Naquele momento eles achavam que o pessoal de São Paulo só estava reproduzindo um modelo estrangeiro, mas eles tinham uma pesquisa com a cultura popular baiana muito grande. Algo bem na linha do que defendia o Lima Barreto. Por isso tudo, fui entender quem era o Lima e fiquei muito entusiasmada.

P. E como surgiu o nome da arqueóloga Niède Guidon, fundadora do parque arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí, para integrar a programação?

R. Isso tudo tem muito a ver com o Lima Barreto: a ideia de você escavar para encontrar coisas que não estão ali na superfície. Você construir um pensamento através de recolhas que vai escavando, como fez Francisco de Assis Barbosa, que foi o arqueólogo de Lima Barreto ao escrever a biografia do escritor e organizar sua obra completa nos anos 1950. A Flip tem a tradição de sempre ter uma mesa de ciência e, pensando em toda a programação, veio logo a minha mente o nome da Niède Guidon. Ela é mulher, na resistência, trabalhando em uma área mais periférica da ciência, no Piauí, e que, apesar da ressonância mundial que seu trabalho tem, sofre constantemente com falta de verba e o perigo de ter de fechar o parque. E isso também me parece muito próprio do universo feminino. Eu escutei várias vezes isso nos últimos dez meses de curadoria: “repare como a resistência é sempre feminina”. E é verdade. A mulher parece ter predisposição para encarar e estar na frente de projetos de muita resistência. A Niède Guidon também resume muito bem isso.

P. Com tantas novidades, o que você espera que permaneça nessa Flip?

R. O que sempre foi incrível para mim é que existe um espaço em que os escritores estão falando sobre a obra de forma informal, espontânea. E a emoção de ouvi-los é o que ficou para mim depois de todas as Flips de que participei. Quero que seja, mais uma vez, um ambiente em que a literatura ocupa o primeiro plano por alguns dias. Isso é tão fora do imediatismo. É algo tão estimulante e que a gente não consegue ter diariamente. Não quero que o evento perca essa atmosfera. Acredito que vão ser dias felizes, apesar da crise que o país vive.