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terça-feira, 8 de março de 2016

A CARA DA NOVA LITERATURA ALEMÃ E A CARA DA NOVA EUROPA.

A cara da nova literatura alemã é a cara da nova Europa

Leonardo Neto - Publishnews - 24/02/2016

Os movimentos migratórios que marcam a segunda década desse século marcam também a literatura produzida na Alemanha. A literatura alemã não é mais, necessariamente, escrita por escritores nativos da Alemanha. Um exemplo disso é Nino Haratischiwili. A escritora de 32 anos foi apontada pela revista Die Zeit como “uma das mais importantes vozes da literatura contemporânea alemã”. No entanto, Nino não nasceu na Alemanha. Ela nasceu na Geórgia, país localizado entre a Europa e a Ásia e que será homenageado pela Feira do Livro de Frankfurt em 2018.

Esse fenômeno foi tratado em alguns encontros dos quais sete editores brasileiros participaram essa semana em Frankfurt. O grupo, que seguiu para Berlin nesta quarta-feira, está na Alemanha essa semana para uma série de reuniões com editores, agentes literários e personalidades que ditam os rumos e as tendências da literatura e do mercado editorial no país. Antes de embarcarem para Berlim, os editores visitam a Frankfurter Verlagsanstalt, editora independente criada por Joachim Unseld (filho de Siegfried Unseld, fundador da Suhrkamp) e que publicou o romance Das achte leben (für Brilka), que em tradução livre seria como As oito vidas (de Brilka), de Nino.

Com o livro, ela tem feito uma boa carreira no país de Goethe. A editora reporta vendas que já ultrapassaram a casa dos 60 mil exemplares e o livro – um catatau de 1.280 páginas – foi indicados para participar do Books at Berlinale, programação paralela do Festival de Cinema de Berlim que colocou frente a frente, os detentores dos direitos de livros e produtores de cinema com o objetivo de incentivar a transposição de obras literárias para o cinema.

O livro já teve seus direitos de tradução vendidos para Bulgária (Black Flamingo), França (Piranha), Holanda (Meridiaan), Polônia (Otwarte), Reino Unido (Scribe) e Turquia (Aylak Adam). Das achte leben é o terceiro romance de Nino, que é autora também de 19 peças de teatro. Embora não seja a sua língua nativa, ela escreve em alemão. “Como não se tratava de uma escritora nativa da Alemanha, tivemos que fazer um trabalho pesado de edição no livro. Na verdade, tivemos que traduzir o livro do alemão-georgiano para o alemão-alemão”, brincou Unseld enquanto mostrava aos editores brasileiros os manuscritos cheios de riscos, anotações e rubricas feitas pelo próprio editor. “Fizemos todo esse trabalho porque achamos que valia muito a pena”, disse.

Agora, Unseld encara duas missões: uma, a de promover as vendas de direitos internacionais (daí o seu entusiasmo no encontro com os editores brasileiros, para onde os direitos do livro continuam disponíveis), e, a outra, de fazer a autora se manter na crista da onda até 2018, quando o seu país natal receberá todas as atenções. “Queremos desenvolver um pouco o programa de literatura jovem da Geórgia já de olho em 2018, quando o país será o homenageado na Feira do Livro de Frankfurt”, disse Unseld.

Durante 100 anos, o livro acompanha a história de uma família. Os altos e baixos da economia, a criação União Soviética, guerras e a reabertura da economia do bloco servem de pano de fundo para mostrar as histórias, percalços, alegrias e tristezas dessa família.

A missão brasileira na Alemanha

Desde a última segunda-feira, sete editores independentes brasileiros, acompanhados pelo PublishNews, tem participado de reuniões e encontros com editores, agentes e tradutores com o objetivo de aproximar os dois países. O convite para a viagem foi feito pelo ministério das Relações Exteriores da Alemanha e intermediado pela Feira do Livro de Frankfurt. Nesta quinta-feira (25), os editores visitarão o Ullstein Verlagsgrouppe, a Suhrkamp, Aufbau, Assoziation A e a Wagenbach, todas em Berlim. Fazem parte da missão os seguintes editores: Arnaud Vin (Grupo Autêntica), Beatriz Nunes de Sousa (Tordesilhas / Alaúde), Daniel Pellizari (Estação Liberdade), Isabel Diegues (Cobogó), Isabella Santiago (Zahar), Iuri Pereira (Hedra) e Maria Warth (Pallas).

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