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terça-feira, 20 de setembro de 2016

PAVOR DA MORTE OU DESENCARNE!

PAVOR da MORTE ou DESENCARNE !



Vamos ver a importância do estudo da Doutrina Espírita na hora da morte. Mesmo não precisando de provas purgativas, o espírito que cultivou a bondade e as virtudes naturalmente em sua reencarnação, ainda assim a falta do conhecimento poderá gerar uma perturbação espírita pavorosa. Vamos ler um resumo do Capítulo 48, Pavor da Morte, do Livro “OS MENSAGEIROS” de André Luiz/Chico Xavier, onde Cremilda apesar de desencarnada e laços rompidos, fica apavorada com a presença do Noivo falecido ao seu lado.

Resumo do CAPÍTULO 48 – Pavor da morte

O colega, gentil, conduziu-nos ao interior de espaçoso necrotério, onde defrontamos um quadro interessante. O cadáver de uma jovem, de menos de trinta anos, ali jazia gelado e rígido, tendo a seu lado uma entidade masculina, em atitude de zelo. Com assombro, notei que a desencarnada estava ligada aos despojos. Parecia recolhida a si mesma, sob forte expressão de terror. Cerrava as pálpebras, deliberadamente, receosa de olhar em torno.

— Terminou o processo de desligamento dos laços fisiológicos — aclamou o facultativo atento — mas a pobrezinha há seis horas que está dominada por terrível pavor.

E apontando o cavalheiro desencarnado, que permanecia junto dela, cuidadoso, o receitista esclareceu:

— Aquele é o noivo que a espera, há muito.

Aproximamo-nos um tanto e ouvimo-lo exclamar carinhosamente.

— Cremilda! Cremilda! vem! abandona as vestes rotas. Fiz tudo para que não sofresse mais… Nossa casa te aguarda, cheia de amor e luz.

A jovem, todavia, cerrava os olhos, demonstrando não querer vê-lo.

Notava-se, perfeitamente, que seu organismo espiritual permanecia totalmente desligado do vaso físico, mas a pobrezinha continuava estendida, copiando a posição cadavérica, tomada de infinito horror.

Aniceto, que tudo pareceu compreender num abrir e fechar de olhos, fez leve sinal ao rapaz desencarnado, que se aproximou comovido.

É preciso atendê-la doutro modo — disse o nosso orientador, resoluto.

— vejo que a pobrezinha não dormiu no desprendimento e mostra-se amedrontada por falta de preparação espiritual. Não convém que o amigo se apresente a ela já. Não obstante o amor que lhe consagra, ela não poderia revê-lo sem terrível comoção, neste instante em que a mente lhe flutua sem rumo…

— Sim — considerou ele, tristemente —, há seis horas chamo-a sem cessar, intensificando lhe o terror.

Redargüiu Aniceto, conselheiro:

— Ausência de preparação religiosa, meu irmão. Ela dormirá, porém, e, tão logo consiga repouso, entregá-la-ei aos seus cuidados. Por enquanto, conserve a alguma distância.

E fazendo-se acompanhar do facultativo, que assistira espiritualmente a jovem nos últimos dias, aproximou-se da recém-desencarnada falando com inflexão paternal.

— Vamos, Cremilda, ao novo tratamento.

Ouvindo a moça abriu os olhos espantadiços e exclamou:

— Ah, doutor, graças a Deus! Que pesadelo horrível! Sentia-me no reino dos mortos, ouvindo meu noivo, falecido há anos, chamar-me para a Eternidade!..

— Não há morte, minha filha! — objetou Aniceto, afetuoso — creia na vida, na vida eterna, profunda, vitoriosa!

— É o senhor o novo médico? — indagou, confortada.

— Sim, fui chamado para aplicar-lhe alguns recursos em bases magnéticas. Torna-se indispensável que durma e descanse.

— É verdade… — tornou ela de modo comovente —, estou muito cansada, necessitando de repouso…

Recomendou-nos o instrutor, em voz baixa, prestássemos auxílio, em atitude íntima de oração, e, depois de conservar-se em silêncio por instantes ministrou-lhe o passe reconfortador. A jovem dormiu quase imediatamente.

Deslocou-a Aniceto, afastando-a dos despojos, com o zelo amoroso dum pai, e, chamando o noivo reconhecido, entregou-a carinhosamente.

— Agora, poderá encaminhá-la, meu irmão.

O rapaz agradeceu com lágrimas de júbilo e vi-o retirar-se de semblante iluminado, utilizando a volitação, a carregar consigo o fardo suave do seu amor.

Nosso mentor fixou um gesto expressivo e falou:

— Pela bondade natural do coração e pelo espontâneo cultivo da virtude, não precisará ela de provas purgatoriais. É de lamentar, contudo, não se tivesse preparado na educação religiosa dos pensamentos. Em breve, porém, ter-se-á adaptado à vida nova. Os bons não encontram obstáculos insuperáveis.

E, desejoso talvez de consubstanciar a síntese da lição, rematou:

— Como veem, a ideia da morte não serve para aliviar, curar ou edificar verdadeiramente. É necessário difundir a ideia da vida vitoriosa. Aliás, o Evangelho já nos ensina, há muitos séculos, que Deus não é Deus de mortos, e, sim, o Pai das criaturas que vivem para sempre.

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